domingo, 24 de outubro de 2021
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Presos da Papuda denunciam tortura em cartas: ‘Estão nos matando’

Textos foram entregues a parentes que repassaram para comissões de Direitos Humanos do DF e advogados. Internos relatam que levam socos, chutes e 'punições excessivas'

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Circuito de segurança flagra policiais penais agredindo detento na PDFI, no Complexo Penitenciário da Papuda, no DF — Foto: Reprodução

Um grupo de presos do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, escreveu cartas para denunciar agressões, punição coletiva e até tortura dentro do presídio. Os textos foram entregues a parentes e repassados para advogados e também para duas comissões de direitos humanos do Distrito Federal.

O g1 teve acesso às cartas escritas por detentos da Penitenciária do Distrito Federal I (PDF-I) – onde ficam os condenados – e por detentos do Centro de Detenção Provisória (CDP-I), que abriga os que aguardam julgamento ou podem recorrer. Eles também dizem que não têm acesso a itens básicos de higiene e que há “corte de água por várias horas e cortes de energia como castigo”.

A Secretaria de Administração Penitenciária (Seape) disse que “não coaduna com qualquer desvio de conduta por parte de seus servidores e adotará todas as medidas cabíveis para averiguação dos fatos informados e, caso se confirmem, promoverá a devida responsabilização dos envolvidos”.

O g1 procurou o Sindicato dos Policiais Penais do DF para comentar o assunto, no entanto, até a última atualização desta reportagem, não houve resposta. A direção da penitenciária também não retornou nossos contatos.

Presos da Penitenciária da Papuda escrevem cartas para denunciar tortura e espancamentos — Foto: Reprodução

Espancamento e tortura

Em uma das cartas, de 19 páginas, os presos que ficam em alas do Centro de Detenção Provisória destinadas a internos que têm nível superior relatam socos, chutes e chineladas por parte dos policiais penais.

Segundo o grupo que escreveu as cartas, os agentes “utilizam da fé pública que têm para cometer todos os tipos de abusos e ilegalidades”. Entre as denúncias relatadas pelos internos estão:

Apanhar com a própria sandália
Ficar de joelhos para ser golpeado
Tortura
Tapas, socos e chutes
Espancamento
Compartilhamento obrigatório de máquina de cortar cabelo entre todos
Submissão à ilegalidade
Detentos serem obrigados a cortar as unhas dos pés de outros detentos com os dentes
Punição coletiva

Em junho, o g1 exibiu um vídeo que mostra um policial penal atirando com bala de borracha dentro de uma cela, depois de uma briga entre detentos. Os servidores também enforcaram os internos e deram chutes e pisões.

Depois que as imagens foram divulgadas, o Ministério Público do DF decidiu denunciar quatro envolvidos, pelos crimes de lesão corporal e violência arbitrária.

‘Castigo e ilegalidade’

Uma das cartas, escrita por presos do CDP-1, foi entregue à advogada Kelly Moreira. Ela disse à reportagem que protocolou a petição em órgãos competentes, entre eles a Comissão de Direitos Humanos da Câmara Legislativa do DF (CLDF) e do Ministério Público.

A Comissão de Direitos Humanos da CLDF informou, na quinta-feira (7), que “vai dar encaminhamento à denúncia”.

A advogada que protocolou os pedidos disse que “aceitou a missão [de representar os detentos] porque não considera justo duas punições aos presos, uma de privação e outra de castigo e ilegalidade”.

O presidente do Centro Brasiliense de Defesa dos Direitos Humanos (Centrodh), Michel Platini, disse que recebeu a petição dos presos e que vai encaminhar uma denúncia-crime ao Ministério Público e à Vara de Execuções Penais. “É inaceitável que essas denúncias perdurem”, diz ele.

 

Fonte: Portal G1

 

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