quarta-feira, 4 de novembro de 2026

Gleice Jane rompe tradição e homenageia exclusivamente mulheres de movimentos sociais

Em uma solenidade marcada pelo reconhecimento de personalidades que contribuem para o desenvolvimento de Mato Grosso do Sul, a deputada estadual professora Gleice Jane (PT) fez uma escolha simbólica: todas as suas homenageadas foram mulheres com trajetórias ligadas às lutas populares e aos movimentos sociais.

A cerimônia de outorga do Título de Cidadão Sul-Mato-Grossense e da Comenda do Mérito Legislativo aconteceu nesta quarta-feira (28), na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS), em Campo Grande, e reuniu 108 homenageados e homenageadas indicados pelos parlamentares estaduais.

Enquanto a solenidade tradicionalmente reúne autoridades, empresários, gestores públicos e lideranças de diferentes setores, Gleice Jane decidiu dedicar todas as suas indicações a mulheres que constroem suas trajetórias na organização popular, na defesa de direitos e na mobilização social.

Receberam a Comenda do Mérito Legislativo, por indicação da deputada, Camila Alves Seles, Judite Stronzake, Nadir Corrêa do Amaral, Patrícia Hermínia Guimarães da Luz, Renata Amarilio Gimenes e Solange Clementino de Sá.

A presença das homenageadas, com suas bandeiras e pautas de luta, deu um significado especial à cerimônia. Em um espaço historicamente ocupado majoritariamente por homens, as mulheres dos movimentos sociais ocuparam o centro das homenagens.

Para Gleice Jane, a escolha foi uma forma de reconhecer quem também participa da construção da história de Mato Grosso do Sul, muitas vezes longe dos espaços tradicionais de poder.

“Quisemos trazer para este momento mulheres que estão nas ruas, nos movimentos sociais, que carregam suas bandeiras e dedicam suas vidas à luta por direitos. São mulheres que ajudam a construir Mato Grosso do Sul todos os dias e que merecem ocupar também os espaços de reconhecimento e homenagem”, destacou a deputada.

Uma homenagem carregada de simbolismo

A solenidade aconteceu na mesma semana da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em um momento marcado pela mobilização política e social.

Para a deputada, a coincidência tornou a homenagem ainda mais significativa, especialmente pelo protagonismo das mulheres nos movimentos populares.

“Foi emocionante ver essas mulheres ocupando a Assembleia com suas histórias, suas bandeiras e suas lutas. Em uma semana tão simbólica para a democracia brasileira, fizemos questão de mostrar que o reconhecimento público também precisa chegar às mulheres que estão na base, que organizam, mobilizam e transformam a sociedade”, afirmou.

A escolha também dialoga com a própria trajetória de Gleice Jane, professora da escola pública há mais de 20 anos, com atuação no movimento sindical e na defesa dos direitos das mulheres.

Primeira mulher de esquerda a ocupar uma cadeira na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, a parlamentar tem defendido a ampliação da participação feminina nos espaços de decisão e de reconhecimento institucional.

Reconhecimento às mulheres que fazem a diferença

A Comenda do Mérito Legislativo é uma das honrarias concedidas pela Assembleia Legislativa a pessoas que se destacam por suas contribuições à sociedade sul-mato-grossense nos campos social, político, econômico e cultural.

Ao indicar exclusivamente mulheres de movimentos sociais, Gleice Jane buscou ampliar a visibilidade de trajetórias que nem sempre recebem o mesmo reconhecimento público destinado às lideranças políticas e econômicas.

“Essas mulheres não precisam de um cargo ou de um título para demonstrar sua importância. Suas histórias são construídas coletivamente, na luta por direitos e por uma sociedade mais justa. Hoje, o Parlamento reconhece essa contribuição. E é uma alegria imensa poder fazer parte desse momento”, concluiu a deputada.

Fonte: Assessoria

Servidor é suspeito de ameaçar indígenas em MS após reeleição de Lula

O áudio atribuído a um servidor da Prefeitura de Tacuru, com declarações que sugerem o envenenamento da água consumida por indígenas Guarani Kaiowá após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no domingo (25), mobilizou órgãos públicos e parlamentares.

As autoridades cobram a apuração dos fatos e a adoção de medidas para garantir a segurança da comunidade. As gravações circularam após uma conversa entre o funcionário público e um colega pelo WhatsApp.

O conteúdo faz referência aos indígenas da Aldeia Sassoró, em Tacuru, e provocou manifestações de representantes dos povos indígenas e de autoridades.

Após a repercussão do caso, o servidor foi afastado das funções e passou a responder a um Processo Administrativo Disciplinar (PAD), segundo o prefeito do município, Rogério Torquetti (PSDB), que declarou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República.

Até o momento, não há confirmação de que a água consumida pela comunidade tenha sido contaminada.

A investigação busca esclarecer as circunstâncias das ameaças e verificar possíveis responsabilidades criminais.
Confira a seguir o que se sabe e o que ainda está sendo apurado sobre o caso.

1. O que motivou o afastamento do servidor público em Tacuru?

O servidor da Prefeitura de Tacuru foi afastado após a circulação de áudios nos quais sugeria envenenar a água consumida pelos indígenas da Aldeia Sassoró. Em uma das gravações, ele afirma que deveria “matar essas pragas na água”.

O conteúdo veio a público após o segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25), e motivou pedidos de investigação e de proteção à comunidade indígena.

2. Quem é o funcionário investigado e qual era sua função na prefeitura?

A identidade do servidor não foi divulgada oficialmente pelas autoridades. O prefeito de Tacuru, Rogério Torquetti, confirmou que o funcionário trabalhava no setor de infraestrutura do município, dirigindo um caminhão-caçamba.
Segundo o prefeito, o servidor não era responsável pela distribuição de água no município.

3. Existe comprovação de que a água da Aldeia Sassoró foi envenenada?

Não há confirmação, até o momento, de que a água consumida pela comunidade tenha sido contaminada.

O Ministério dos Povos Indígenas e as autoridades locais informaram que não há comprovação de envenenamento. A Polícia Federal foi acionada para investigar o caso e apurar se houve alguma ação concreta além das ameaças registradas nos áudios.

4. Quais órgãos públicos e autoridades investigam o caso?

A Polícia Federal foi acionada pelo Ministério dos Povos Indígenas para investigar possíveis crimes relacionados às ameaças.

O Ministério Público Federal (MPF) também instaurou procedimento de apuração e deu prazo de 48 horas para que a Prefeitura de Tacuru preste esclarecimentos sobre o caso, incluindo as medidas adotadas para proteger a comunidade indígena.

As deputadas federais Sônia Guajajara e Célia Xakriabá também protocolaram pedidos urgentes de providências junto a órgãos federais, cobrando a investigação das ameaças e a proteção dos povos indígenas.

5. Como reagiram as lideranças indígenas da comunidade afetada?

O cacique Ivan Montiel, liderança da Aldeia Sassoró e vereador em Tacuru, repudiou as declarações atribuídas ao servidor e afirmou que buscará a responsabilização civil e criminal dos envolvidos.
Montiel também destacou que a comunidade não aceitará manifestações de preconceito e defendeu o direito dos indígenas de exercer livremente o voto.

6. Quais medidas administrativas foram adotadas pela Prefeitura de Tacuru?

Segundo o prefeito Rogério Torquetti, o servidor foi afastado preventivamente das funções e a prefeitura instaurou um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar sua conduta.

Após a repercussão do caso, o prefeito também publicou um vídeo em que pediu desculpas pelas declarações registradas nos áudios e se colocou à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.

7. Outros episódios de violência política contra indígenas foram confirmados em Mato Grosso do Sul?

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) relatou denúncias de violência contra indígenas em outros municípios. A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul (Sejusp-MS), por sua vez, negou a existência de um cenário de genocídio contra os povos indígenas no estado.

Em Naviraí, um caso inicialmente associado a supostos ataques motivados por conflitos políticos foi esclarecido pelas autoridades locais como uma tentativa de duplo homicídio decorrente de um desentendimento familiar, sem motivação política ou étnica.

Lideranças das comunidades indígenas Kurupi e Mboreviry também negaram que integrantes dos grupos tenham sido vítimas de ataques na região. As autoridades informaram ainda que fotografias do crime circularam na internet de forma adulterada e fora de contexto, sendo associadas falsamente a um suposto ataque contra indígenas.

8. O que o MPF exigiu da Prefeitura de Tacuru?

O Ministério Público Federal deu prazo de 48 horas para que a prefeitura esclareça a autoria e a autenticidade das gravações, além das circunstâncias em que os áudios foram divulgados.

O órgão também solicitou informações sobre as providências adotadas para garantir a segurança das comunidades indígenas e a continuidade dos serviços essenciais prestados à população.

Além disso, o MPF recomendou o afastamento do servidor suspeito e a instauração de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD). Segundo o prefeito, as medidas administrativas já foram adotadas.

Casa de Reza na Aldeia Sassoró, em Tacuru (MS). — Foto: Reprodução/Edson Lopes

9. O que as forças de segurança de Mato Grosso do Sul afirmaram?

A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul (Sejusp-MS) negou que haja genocídio contra os povos indígenas no estado.

Em relação ao caso de Naviraí, as informações reunidas pelas autoridades apontaram que a tentativa de duplo homicídio teve origem em um desentendimento familiar, sem motivação política ou étnica. Lideranças indígenas da região também negaram a ocorrência de ataques contra integrantes das comunidades.

O caso de Tacuru, por sua vez, envolve ameaças registradas em áudio e segue sob apuração das autoridades competentes.

Fonte: Portal G1/MS