terça-feira, 5 de maio de 2026

Canetas emagrecedoras podem deixar planos de saúde empresariais mais caros

Especialistas projetam inflação médica entre 8% e 11% em 2026 e apontam impacto nos próximos reajustes

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Caneta emagrecedora — (Foto: Reprodução/TV Globo)

A “febre” das canetas emagrecedoras e a maior demanda por terapias avançadas, com medicamentos de alto custo, devem pressionar a inflação médica e podem levar a reajustes mais altos nos planos de saúde empresariais.

A expectativa, segundo especialistas consultados pelo g1, é que os custos médicos subam entre 8% e 11% em 2026.

Segundo pesquisa da consultoria Willis Towers Watson (WTW), os gastos com medicamentos estão entre os principais fatores que puxam os custos de saúde nas Américas — especialmente os remédios mais modernos para obesidade e diabetes.

“Embora os planos de saúde no Brasil ainda não contemplem medicamentos para emagrecimento, como as canetas injetáveis, o rol de procedimentos ampliou a cobertura ambulatorial para alguns tratamentos oncológicos, além de medicamentos voltados a doenças raras e autoimunes”, explica a diretora de saúde e benefícios da Willis Towers Watson (WTW), Walderez Fogarolli.

Ao mesmo tempo, entidades de saúde no Brasil e no mundo seguem discutindo como tratar a obesidade no longo prazo.

No final do ano passado, por exemplo, a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou as primeiras diretrizes sobre o uso de canetas emagrecedoras no combate à doença, classificando esses medicamentos como uma ferramenta potencialmente essencial para “ajudar milhões de pessoas a superar a obesidade e reduzir os danos associados”.

No Brasil, uma série de projetos de lei apresentados no Congresso no ano passado passou a tratar do uso de medicamentos contra a obesidade no Sistema Único de Saúde (SUS).
Nesse cenário, a avaliação do setor é que, embora os planos ainda não sejam obrigados a cobrir as canetas emagrecedoras, a obesidade vem sendo cada vez mais reconhecida como doença crônica — o que pode influenciar decisões judiciais contra as operadoras, dependendo do caso.

Ainda segundo a pesquisa da WTW, 67% das seguradoras acreditam que medicamentos à base de GLP-1 vão elevar os custos médicos nos próximos três anos. Na prática, isso também pode pressionar novos reajustes dos planos de saúde.

🔎 Esses medicamentos imitam a ação do hormônio GLP-1, produzido pelo próprio corpo. Ele ajuda a controlar o apetite, aumenta a sensação de saciedade e regula a liberação de insulina.

Outros fatores também pesam na inflação médica

Os especialistas explicam que, embora os medicamentos tenham um peso importante, há vários outros fatores que influenciam os custos da saúde, como regulação e judicialização no Brasil, tecnologias mais caras (muitas ligadas ao dólar), comportamento dos usuários, além de desperdícios e fraudes.

🔎 Judicialização é quando as pessoas recorrem cada vez mais à Justiça para resolver questões que não foram solucionadas por outros meios. Na saúde, isso inclui casos em que pacientes acionam os tribunais para obrigar planos a cobrir tratamentos, exames ou medicamentos que não foram autorizados.

Segundo o superintendente técnico e atuarial da Mercer Marsh Benefícios, Thomás Ishizuka, fatores como a frequência de uso do plano e o custo médio dos atendimentos — chamado de “severidade” no jargão do setor — também entram na conta dos reajustes.

“Analisamos principalmente o custo médio por atendimento e a frequência de uso, mas o preço também depende de outras variáveis, como a idade dos beneficiários, o setor da empresa e o tipo de contrato”, diz.

A Mercer Marsh estima que a inflação médica fique entre 8% e 9% em 2026, enquanto os reajustes dos planos empresariais devem variar de 8% a 10%. Já a WTW projeta alta de 11% neste ano, mas não detalhou os reajustes dos planos.

Fonte: Portal G1

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