segunda-feira, 8 de junho de 2026

Ataques entre Irã e Israel complicam Trump às vésperas da Copa

Presidente norte-americano dá novas demonstrações de irritação com Netanyahu, que o desafia e revida contra o regime

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O presidente Donald Trump em coletiva de imprensa — Foto: Divulgação

Ataques mútuos entre Irã e Israel complicaram muito as tentativas de Donald Trump de negociar o fim da guerra e bater em retirada do Oriente Médio, às vésperas do início da Copa do Mundo, da qual é anfitrião.

No fim de semana, o presidente norte-americano avançou em novas demonstrações de irritação com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, ao ver a mediação dos EUA e o cessar-fogo firmado há dois meses se dissipar em troca de mísseis.

“Ele não terá escolha. Eu que mando. Eu tomo todas as decisões. Ele não manda”, resumiu Trump sobre Netanyahu, ao jornalista Edward Luce, do “Financial Times”, reforçando a tensão aberta entre os dois líderes.

A retomada de ataques entre Irã e Israel tornou claro o papel do Hezbollah na resolução do conflito. Na semana passada, com uma bronca por telefone, Trump advertiu Netanyahu a não atacar Beirute, mas o premiê se manteve desafiador, sobretudo depois que foguetes foram disparados no domingo pela milícia xiita contra comunidades na fronteira norte de Israel.

O Exército israelense revidou, atacando novamente os subúrbios no Sul de Beirute, numa ação que Teerã considerou uma violação do cessar-fogo entre os EUA e o Irã. A resposta do regime se traduziu na disparada de mísseis no Norte de Israel neste domingo.

Num indicativo do colapso das negociações, Trump viu ruir suas promessas de que um acordo de paz estava próximo e que sairia “na segunda, na terça ou na quarta-feira”. O presidente americano se desdobrou em entrevistas para tentar conter o estrago e reforçou que instruiria o premiê israelense a não retaliar. “Quem dá as cartas sou eu”, determinou.

Mandou também um recado ao Irã, que soou como apelo desesperado: “Vocês lançaram seus mísseis. Isso já basta. Voltem à mesa de negociações e façam um acordo”.

Com desempenho aquém do esperado nas pesquisas para as eleições deste ano, Netanyahu achou melhor satisfazer a sua base política e ignorou a advertência de Trump. O Exército revidou nesta segunda-feira, atacando alvos militares no Oeste e Centro do Irã.

O premiê israelense parece resistir ao acordo que o presidente norte-americano busca às pressas, por temer que seja prejudicial a Israel e ameace seu projeto político de manter-se à frente do comando do país. Até agora, ele tem se mostrado disposto a esgarçar os laços que mantém com o maior aliado no exterior.

Fonte: Portal G1

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