sexta-feira, 26 de junho de 2026

UFMS alerta para riscos da Salmonella e reforça cuidados na manipulação de alimentos

Gastroenterologista do hospital explica como ocorre a contaminação, quais são os principais sintomas e quando procurar atendimento médico

Compartilhar

A bactéria pode contaminar alimentos, água, utensílios e superfícies, provocando infecções que variam de quadros leves de gastroenterite a complicações graves que exigem atendimento hospitalar (Foto: Divulgação)

Salmonella está entre os principais agentes causadores de doenças transmitidas por alimentos no Brasil.

A bactéria pode contaminar alimentos, água, utensílios e superfícies, provocando infecções que variam de quadros leves de gastroenterite a complicações graves que exigem atendimento hospitalar.

Para orientar a população sobre formas de prevenção e sinais de alerta, a  gastroenterologista do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (Humap-UFMS), vinculado à rede federal HU Brasil, Carla Moura, explica os principais cuidados para evitar a contaminação.

Segundo a especialista, a infecção acontece geralmente pela ingestão de alimentos ou água contaminados.

“Os sintomas mais comuns são diarreia, dor abdominal, febre, náuseas e vômitos. Na maioria dos casos, a evolução é leve e autolimitada, mas é importante que a população esteja atenta aos sinais que indicam a necessidade de avaliação médica”, explica.

Entre os alimentos mais frequentemente associados à transmissão da bactéria estão ovos crus ou mal cozidos, maionese caseira, carnes mal passadas, especialmente aves, leite e derivados não pasteurizados, vegetais crus mal higienizados e alimentos manipulados inadequadamente após o preparo.

Atenção redobrada em festas e eventos

A gastroenterologista destaca que locais com grande produção e manipulação de alimentos exigem cuidados ainda maiores.

“Nos restaurantes, festas e eventos, a atenção deve ser redobrada com molhos, saladas, carnes, ovos e alimentos expostos. Quando há uma grande quantidade de refeições sendo produzidas ao mesmo tempo, o risco aumenta, principalmente quando ocorrem falhas de higiene ou armazenamento inadequado”, afirma.

Segundo Carla Moura, as doenças transmitidas por alimentos costumam ser mais frequentes em períodos de calor, férias e festividades, quando aumenta o consumo de refeições preparadas fora de casa.

Higiene das mãos e utensílios faz a diferença

Um dos principais mecanismos de transmissão da Salmonella é a contaminação cruzada, quando microrganismos presentes em alimentos crus são transferidos para alimentos já prontos para consumo.

“Muitas contaminações acontecem dessa forma. A pessoa corta um frango cru em uma tábua e depois utiliza a mesma superfície para preparar uma salada sem higienização adequada. Ou manipula um alimento contaminado e, sem lavar as mãos, toca em outro alimento que já está pronto para consumo”, exemplifica.

Por isso, a especialista reforça que a higienização correta das mãos, utensílios, equipamentos e superfícies é uma das medidas mais eficazes para prevenir a infecção.

Nem toda intoxicação alimentar deve ser banalizada

Além da Salmonella, outros agentes infecciosos também podem causar sintomas semelhantes, como Escherichia coli, Campylobacter, Shigella e alguns parasitas, como a Giardia.

De acordo com a  gastroenterologista, muitos surtos acabam sendo subdiagnosticados porque nem todos os pacientes procuram atendimento médico ou realizam exames específicos para identificar o agente causador.

Embora a maioria dos casos evolua bem com hidratação e cuidados de suporte, alguns sinais indicam maior gravidade.

“Quando a diarreia vem acompanhada de febre persistente, sangue nas fezes, dor abdominal intensa, sinais de desidratação ou dificuldade para ingerir líquidos, é importante procurar atendimento médico. Também precisamos ter atenção especial quando os sintomas acometem crianças, idosos, gestantes e pessoas com imunidade comprometida”, alerta.

Nesses casos, pode ocorrer perda importante de líquidos ou até disseminação da bactéria pela corrente sanguínea, aumentando o risco de complicações graves, como desidratação severa e sepse, conhecida como infecção generalizada.

“Os quadros de intoxicação alimentar não devem ser banalizados. A maioria das pessoas terá recuperação completa apenas com hidratação e medidas de suporte, mas existe uma parcela de pacientes que pode necessitar de hidratação venosa, uso de antibióticos e acompanhamento mais intensivo. Por isso, é fundamental reconhecer os sinais de alerta e buscar assistência médica quando necessário”, conclui Carla Moura.

Como prevenir a infecção por Salmonella

1 – Lavar as mãos antes de preparar e consumir alimentos;
2 – Higienizar adequadamente frutas, verduras e legumes;
3 – Cozinhar completamente carnes, aves e ovos;
4 – Evitar o consumo de ovos crus ou mal cozidos;
5 – Utilizar leite e derivados pasteurizados;
6 – Separar alimentos crus dos alimentos prontos para consumo;
7 – Higienizar utensílios e superfícies após o contato com carnes cruas;
8 – Manter os alimentos refrigerados e armazenados corretamente;
9 –Ter atenção redobrada ao consumir alimentos em festas, eventos e locais com grande circulação de pessoas.

Fonte: Assessoria

Últimas notícias