A morte do estudante de Direito Brendon Lucas, de 23 anos, encontrado numa área de mata no Alto São Bento, em Itapema, pode ter relação com um possível “tribunal do crime”.
A versão foi apresentada nesta quinta-feira pelo vereador e ex-policial Saulo Ramos (União), que afirma que fotos encontradas no celular do jovem teriam feito criminosos confundi-lo com um integrante de uma facção rival. A polícia Civil foi procurada pela reportagem do jornal DIARINHO, para confirmar a informação, mas não respondeu até o fechamento desta matéria.
Segundo Ramos, uma das imagens mostraria Brendon fazendo um gesto com as mãos que teria sido interpretado pelos criminosos como referência ao PCC. Outra foto mostraria o estudante com um fuzil e roupas do Exército Brasileiro.
Segundo Ramos, as imagens no celular teriam levado criminosos a acreditar que Brendon pertencia ao PCC, grupo rival do Comando Vermelho (CV). O vereador afirma que a hipótese é de que integrantes do CV tenham confundido o estudante com um membro da facção rival e o submetido a um “tribunal do crime”.
Ramos também afirma ter encontrado pichações com as inscrições “CV” e “CV CPX” na comunidade do Alto São Bento. Segundo ele, as marcas seriam usadas para indicar a presença e “marcar território” do Comando Vermelho na região.
“Possivelmente, o que temos aqui é um cenário de um tribunal do crime, onde ele foi trazido para cá, julgado e executado por facções criminosas”, afirmou.
O vereador disse que as informações obtidas por ele apontam que as fotos teriam sido o motivo da execução. “Ele teria sido confundido com um membro de facção rival e então assassinado aqui nesse local por conta disso”, declarou.
Polícia Civil não confirma versão
A versão apresentada por Ramos não foi confirmada pela polícia Civil. Questionada pelo DIARINHO sobre o possível “tribunal do crime”, a motivação ligada às fotos, a atuação do Comando Vermelho e um eventual vínculo de Brendon com o PCC, a corporação informou que, por enquanto, está autorizada a divulgar apenas informações sobre as diligências.
Em nota, a polícia Civil informou que esteve na quarta-feira numa área na divisa com o bairro Alto São Bento, onde encontrou um corpo enterrado. A corporação afirmou que há suspeita de que seja o jovem desaparecido, mas que a identificação oficial depende dos exames da polícia Científica.
A polícia Civil acrescentou que as diligências continuam para esclarecer as circunstâncias do caso e que novas informações poderão ser divulgadas conforme o avanço da investigação.
Segundo a Guarda Municipal de Itapema, o pai de Brendon já reconheceu o filho no local.

Encontrado após quatro dias
Brendon estava desaparecido desde sábado. O estudante era natural de Dourados (ms), e havia chegado a Santa Catarina cerca de um mês antes. Ele cursava o sexto semestre de Direito e trabalhava como pintor em Itajaí ao lado do pai.
Na madrugada de domingo, o pai recebeu um alerta de localização do iPhone do filho. O aparelho foi encontrado às margens da BR 101, no sentido de Camboriú. O carro usado pelo estudante apareceu depois na rua 806 B, no Alto São Bento.
Após quatro dias de buscas, Brendon foi encontrado morto na tarde de quarta-feira em uma área de mata de difícil acesso no mesmo bairro. Segundo a Guarda Municipal de Itapema, o pai reconheceu o filho no local.
A família abriu uma campanha para arrecadar R$ 10 mil e custear o traslado do corpo até Dourados, onde os parentes aguardam para a despedida.
Por Camila Diel; jornalista no DIARINHO