Documentos que tiveram o sigilo retirado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), revelaram que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é formalmente investigado pela Polícia Federal (PF) desde 22 de julho por suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção relacionadas ao financiamento de Dark Horse, filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A investigação foi aberta por determinação de Mendonça após pedido da PF e manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR).
A existência da investigação contra o senador veio a público após Mendonça retirar, na quinta-feira (10), o sigilo de parte dos procedimentos relacionados ao caso Banco Master que tramitam sob sua relatoria no Supremo. A medida foi adotada após solicitação do presidente da Corte, Edson Fachin.
O pedido que deu origem à investigação de Flávio aparece em um dos procedimentos que se tornaram públicos. O inquérito específico sobre Dark Horse, no entanto, permanece sob sigilo porque ainda está em fase preparatória para a realização de eventuais diligências.
Além de Flávio Bolsonaro, a investigação alcança o ex-deputado Eduardo Bolsonaro e o deputado federal Mario Frias (PL-SP). A PF busca esclarecer a origem, a movimentação e a destinação de recursos relacionados ao financiamento do filme.
PF pediu abertura de inquérito
A investigação foi aberta depois que a Polícia Federal pediu autorização ao Supremo para aprofundar a apuração sobre recursos repassados pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master, para o financiamento de Dark Horse.
Antes de decidir, Mendonça solicitou manifestação da PGR. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, considerou que havia elementos suficientes para a abertura formal de um inquérito. O ministro autorizou a investigação em 22 de julho.
A PF foi autorizada a investigar possíveis crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção. A abertura do inquérito não significa que os crimes tenham sido comprovados nem representa uma conclusão sobre a responsabilidade dos investigados.
Flávio negociou recursos com Vorcaro
Um dos pontos analisados pela Polícia Federal é a participação de Flávio Bolsonaro nas negociações com Daniel Vorcaro para obtenção de recursos destinados ao filme.
De acordo com os documentos da investigação que se tornaram conhecidos, a PF considera que o senador não aparece apenas em referências feitas por terceiros. Os investigadores identificaram contatos e cobranças feitas diretamente por Flávio a Vorcaro relacionadas à liberação de dinheiro para o projeto.
Um contrato encontrado no celular do ex-banqueiro previa financiamento de US$ 24 milhões, dividido em 14 parcelas, para a produção.
Parte das operações financeiras sob investigação envolve a Entre Investimentos e Participações e o Havengate Development Fund, fundo sediado nos Estados Unidos.
A PF procura determinar a origem e a destinação final do dinheiro e se as operações realizadas para transferir os recursos ao exterior ocorreram dentro da legalidade.
Recursos enviados aos Estados Unidos
A movimentação internacional do dinheiro é uma das linhas da investigação sobre eventual evasão de divisas e lavagem de dinheiro.
O empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, é apontado nas investigações como responsável por remessas destinadas ao Havengate Development Fund. Mendonça homologou nesta semana o acordo de colaboração premiada firmado por Freixo no âmbito das investigações relacionadas ao Banco Master.
O fundo, sediado nos Estados Unidos, havia sido criado originalmente para financiar um empreendimento imobiliário no Texas.
A Polícia Federal também investiga se parte dos recursos enviados ao exterior pode ter sido utilizada para custear despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. O ex-deputado nega essa hipótese.
Fonte: Portal IG