terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Ministro proíbe Reinaldo Azambuja de se comunicar com investigados e servidores do Estado

Fischer também autorizou que os agentes cumprissem mandados de busca e apreensão em 41 endereços, entre eles a casa do governador Reinaldo e seu gabinete na Governadoria. Leia mais...

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Aliny Mary Dias

Do MidiaMax

 

Ministro Felix Fischer (Foto - Divulgação)

Ao solicitar ao STJ (Superior Tribunal de Justiça) autorização para prisão de envolvidos em suposto esquema de concessão irregular de benefícios fiscais, a Polícia Federal afirma que o governador Reinaldo Azambuja (PSDB) está envolvido “em organização criminosa voltada para a prática de crimes contra a administração pública”. Operação Vostok foi deflagrada nesta quarta-feira (12) e 14 são alvos de prisão temporária, o governador Reinaldo, no entanto, é alvo de medidas cautelares que determinam uma série de proibições ao tucano.

 

De acordo com a decisão do ministro Felix Fischer datada de 3 de setembro, o relatório da PF revela que as investigações sobre o esquema iniciaram depois da delação premiada dos executivos da JBS. “Relatando pagamento de vantagens indevidas a diversas autoridades”.

 

Um dos trechos da delação fez com que a PF abrisse inquérito para apurar especificamente a participação de Azambuja nos fatos. A PF detalha que entre os anos de 2014 e 2016 Reinaldo e seu filho Rodrigo de Souza e Silva receberam vantagens indevidas repassadas pela JBS. Em contrapartida, o Governo concedeu TAREs (Termos de Acordo de Regime Especial) para isentar impostos da empresa frigorífica.

 

Policiais federais deixam a Governadoria com mala. (Foto: Henrique Kawaminami)

 

A PF também cita depoimentos de servidores, inclusive do MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) que confirmariam as irregularidades.

 

“Detalha a atuação de suposta organização criminosa calcada na celebração de acordos de benefícios fiscais, por meio dos quais, o Governador Reinaldo Azambuja, em troca de benesses tributárias estaduais concedidas, recebia, em tese, percentual de vantagem, entre 20% e 30%, sobre o valor do crédito apurado pela JBS”.

220 policiais federais cumprem 41 mandados de busca e apreensão e 14 mandados de prisão temporária (Foto - Marcos Ermínio)

 

Após apontar uma série de conclusões a que a Polícia Federal chegou no curso das investigações, o ministro Fischer faz algumas determinações. Autoriza a prisão temporária de 14 envolvidos no esquema (confira os nomes logo abaixo), e proíbe que o governador Reinaldo se comunique com os investigados, testemunhas, colaboradores e até servidores do Mapa. A proibição tem validade de 30 dias.

 

O ministro também autorizou que os agentes cumprissem mandados de busca e apreensão em 41 endereços, entre eles a casa do governador Reinaldo e seu gabinete na Governadoria, no Parque dos Poderes.

 

Fischer também autorizou que perícia seja feita em celulares e documentação apreendida.

 

Estão entre os alvos da Operação Vostok em MS:

 

– Rodrigo Souza e Silva – filho de Reinaldo

– Ivanildo da Cunha Miranda – pecuarista, empresário e delator

– João Roberto Baird – empresário dono de empresa de informática

– Jose Ricardo Guitti Guimaro – conhecido como Poloco e corretor de gado

– Antonio Celso Cortez – empresário dono de empresa de informática

– Elvio Rodrigues – pecuarista

– Francisco Carlos Freire de Oliveira – nome apontado como emissor de notas frias

– José Roberto Teixeira – deputado Zé Teixeira

– Marcio Campos Monteiro – ex-deputado e conselheiro do Tribunal de Contas

– Miltro Rodrigues Pereira – pecuarista

– Nelson Cintra Ribeiro – ex-presidente da Fundação de Turismo do Estado

– Osvane Aparecido Ramos – ex-prefeito de Dois Irmãos e ex-deputado estadual

– Rubens Massahiro Matsuda – empresário

– Zelito Alves Ribeiro – pecuarista e coordenador regional da Casa Civil

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