quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Projeto “Olhares Transviados” cria série de vídeos para combater a LGBTfobia

Conteúdo foi desenvolvido por Luan Schwinn, Bruno Barbosa e Cristiano Figueiredo, integrantes do Coletivo Olhares

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Desenvolvedores do projeto “Olhares Transviados”, Luan Schwinn, Bruno Barbosa e Cristiano Figueiredo fazem parte das lutas e resistência dos movimentos pelos direitos da população LGBT em Dourados (Foto - Divulgação)

Diário MS

 

Desenvolvedores do projeto “Olhares Transviados”, Luan Schwinn, Bruno Barbosa e Cristiano Figueiredo fazem parte das lutas e resistência dos movimentos pelos direitos da população LGBT em Dourados (Foto - Divulgação)

 

“O projeto ‘Olhares Transviados’ é uma tentativa de comunicarmos com quem tem interesse sobre os temas ligados a população LGBT e, principalmente, para as pessoas que queiram conversar sobre a sexualidade e gênero. Nossa proposta para maio é refletirmos acerca do dia 17 de maio (dia internacional de combate à LGBTfobia), para isso teremos vídeos de segunda a sexta, durante todo o mês, onde podemos debater sobre temas que consideramos importantes”, afirma Luan.

 

“Estamos vivenciando diversos retrocessos nesse atual governo e acreditamos ser importante pautar estas discussões, pois apesar de vermos que elas são manifestas (Exemplos: “Golden Shower”, “Meninos usam azul e meninas rosa”, “Brasil não pode ser país do mundo gay”, etc), elas são enviesadas e totalmente distorcidas para agradar uma heterossexualidade frágil e dominante”, disse Bruno.

 

“Nossas expectativas não são de abranger o território nacional, esperamos atingir nossos conhecidos e que isso possa se ramificar para outras pessoas e grupos. Acreditamos que nosso trabalho se assemelha de um artista, ele confecciona sua obra e joga pro mundo, sem saber quem será atingido e quem gostara dela. Logo, esperamos que mais pessoas estejam abertas a construir espaços de diálogo. É um projeto que nos faz bem, ter um lugar para falar sobre as nossas questões nos ajuda a repensarmos e a transformar um pouco nosso entorno, além disso o youtube é também um local onde podemos disputar narrativas, não serão outras pessoas falando e/ou falaciando sobre nós”, pontua Cristiano.

 

Os vídeos serão curtos e com discussões superficiais, pois os amigos entendem que é preciso um start para o debate e não pretendem direcionar esse diálogo apenas para a universidade. “A proposta é refletir o cotidiano das pessoas; um exemplo é discutir a ‘trilogia’ sexo-gênero-orientação sexual, fará as pessoas e nós mesmos (re)pensarmos e (re)aprendermos questões muitas vezes fixadas por uma sociedade que engessa nossas vivências e pensamentos”, ressalta Luan.

 

“Os movimentos e discussões acerca da sexualidade estão sofrendo diversos ataques no Brasil, em nosso estado e em Dourados, há projetos que visam silenciar as salas de aulas e projetos com intuito demonizar, simbolicamente, uma parte da população. Isso é grave e deve ter resistência”, destaca Cristiano.

 

“O panorama das lutas LGBT no território nacional é de perda de direitos: quando as pautas LGBT são retiradas das diretrizes do ministério da mulher, da família e dos direitos humanos; quando a Secretaria de educação continuada, alfabetização, diversidade e inclusão (do MEC) é extinta; quando há o fim das campanhas de Infecções Sexualmente Transmissíveis específicas para LGBTs (Min. Saúde); quando ocorre a extinção do Conselho Nacional LGBT; quando o presidente da república utiliza de sua influência para vetar campanhas voltadas a população jovem e a diversidade e inclusão; quando há cortes na educação; quando temos bancada fundamentalista tentando transformar nossa democracia em teocracia”, diz Bruno.

 

 

LUTAS E RESISTÊNCIA

 

O Coletivo Olhares foi um espaço de reflexão e de intervenção que tivemos em Dourados, um grupo de pessoas que buscavam formar uma rede de debate e de autoconhecimento se organizou por volta de 2013/2014. Nele, aconteceram rodas de conversa, intervenções na UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados) e na UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul) como uma exposição de fotos no RU (restaurante universitário) que discutia a diferença; a discussão virtual por meio de uma página no Facebook intitulada coletivo Olhares.

Entretanto, desde 2014 o coletivo não teve mais reuniões, essas pessoas seguiram seus caminhos pós-faculdade e o projeto “Olhares Transviados” é justamente para relembrarem desse momento de diálogo que os três amigos tiveram em um espaço coletivo e abrirem, por meio dos vídeos em plataforma digital, a discussão para outras pessoas.

 

 

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