sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Policiais civis ignoram “falta de clima tucano” e mantém paralisação de 24 horas

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Policiais civis fazem panfletagem na Avenida Afonso Pena para cobrar promoções que podem beneficiar 700 agentes (Foto: Divulgação)

Edivaldo Bitencourt

O Jacaré

 

Policiais civis fazem panfletagem na Avenida Afonso Pena para cobrar promoções que podem beneficiar 700 agentes (Foto: Divulgação)

 

Em protesto contra o reajuste zero e o atraso nas promoções, os policiais civis devem paralisar as atividades por 24 horas nesta sexta-feira (31). A categoria ignorou o apelo do governador Reinaldo Azambuja (PSDB), de que não há “ambiente” para manifestações nem greve contra a administração estadual.

 

Os agentes da Polícia Civil vão cruzar os braços por 24 horas e só deverão atender emergências e prisões em flagrante. Eles farão assembleia geral e podem deflagrar greve por tempo indeterminado.

 

A categoria exige a incorporação do abono, reposição da inflação acumulada de pelo menos 3,9% e a promoção imediata de aproximadamente 700 policiais. Eles possuem direito à ascensão profissional prevista em lei, mas que estaria sendo descumprida pelo governador.

 

“O Governo não diálogo (com a categoria). Está se comunicado com a gente pela imprensa”, afirmou o presidente do Sinpol (Sindicato dos Policiais Civis), Giancarlo Miranda. Nesta quinta-feira (30), os representantes dos policiais vão se reunir pela segunda vez com o secretário estadual de Governo e Gestão Estratégica, Eduardo Riedel.

 

Em entrevista no início da semana, Reinaldo enfatizou que não há ambiente para greve dos funcionários públicos estaduais. “O direito de se manifestar é livre, a responsabilidade é de cada um. Mas acredito que não tem ambiente hoje no Estado para greve. Se paga em dia o salário, cumprimos as obrigações firmadas e ainda houve aumento significativo de todas as categorias desde 2015”, ressaltou.

 

O tucano justificou que herdou plano de cargos e carreiras aprovados pelo antecessor, André Puccinelli (MDB), que representou aumento de 17% nos salários do funcionalismo.

 

Contudo, os argumentos do governador não sensibilizaram os servidores. “A crise é só para nós, os policiais, não é para o governador, para os altos salários”, reagiu Giancarlo, lembrando do reajuste de 16,37% no salário do governador em janeiro, de R$ 30,4 mil para R$ 35.462, e nos subsídios de todo o primeiro escalão.

 

Em greve há 10 dias, administrativos da educação ocupam prédio da coordenadoria regional em Nova Andradina (Foto: Divulgação)

 

O presidente do Sinpol citou os contratos de R$ 35 milhões com agências de publicidade e de R$ 1,5 milhão para a realização de eventos. “O Governo não corta na carne”, reforça o sindicalista, destacando que Reinaldo só impõe sacrifico aos servidores efetivos.

 

Ele frisou que os funcionários com altos salários, como auditores fiscais e integrantes da Defensoria Pública, já tiveram as promoções publicadas nos últimos dias. “Não descartamos greve”, ressaltou.

 

A paralisação da Polícia Civil terá o reforço dos policiais militares e bombeiros, que aprovaram a realização de Operação Padrão por 24 horas e manifestação no Parque dos Poderes. Eles querem a reposição da inflação e a incorporação do abono.

 

Os administrativos da educação estão em greve desde o dia 20 deste mês. Apesar de liminar da Justiça, determinando que 66% dos servidores continuem trabalhando, a paralisação continua sem previsão para acabar.

 

Nesta sexta-feira, a Fetems (Federação dos Trabalhadores em Educação) realiza assembleia geral para analisar o movimento. A pauta não inclui o fim da greve, apesar dos ataques feitos pelo Governo contra os sindicalistas através de reportagens publicadas pelo site Campo Grande News.

 

O Jacaré procurou a assessoria do Governo para ter informações se as medidas para impedir a paralisação foram adotadas. Na segunda-feira, Reinaldo prometeu tomar providências para impedir que a população seja prejudicada pela paralisação desta sexta-feira.

 

 

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