sábado, 14 de fevereiro de 2026

‘Ordens absurdas não se cumprem’, afirma Bolsonaro sobre operação da PF

Operação contra fake news teve como alvo empresários e blogueiros que apoiam o presidente

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Presidente afirmou ainda que 'não haverá outro dia igual' à quarta-feira (Foto - Divulgação)

G1

 

Presidente afirmou ainda que 'não haverá outro dia igual' à quarta-feira (Foto - Divulgação)

 

O presidente Jair Bolsonaro disse nesta quinta-feira (28) que “ordens absurdas não se cumprem”, em referência à operação da Polícia Federal contra fake news, deflagrada na quarta, que cumpriu mandados de buscas e apreensões em endereços de empresários e blogueiros. Os alvos são aliados do presidente.

 

A operação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, relator no Supremo Tribunal Federal (STF) do inquérito que investiga a produção e disseminação de informações falsas e ofensas à Corte.

 

Bolsonaro disse ainda que tem as “armas da democracia nas mãos” e afirmou que não haverá um outro dia igual à quarta-feira.

 

Ele criticou decisões monocráticas (tomadas por um só ministro), como foi o caso do despacho de Moraes que autorizou a operação contra as fake news. Para ele, o Legislativo e o Judiciário devem ser independentes, mas defendeu que decisões sejam tomadas pelo colegiado (conjunto de ministros ou parlamentares). Bolsonaro usou um palavrão para dizer que “acabou” a tomada monocrática de decisões.

 

Bolsonaro também disse que, na opinião dele, os alvos da operação da quarta não são bandidos nem marginais.

 

“Trabalhamos ontem quase que o dia todo voltando para uma causa. Com dor no coração, ouvindo reclamos daqueles que tiveram sua propriedade privada violada, que não são bandidos, não são marginais, não são traficantes. Muito pelo contrário, são cidadãos, chefes de família, homens, mulheres, que foram surpreendidos com a Polícia Federal, que estava cumprindo ordens, batendo em sua casa”, afirmou o presidente.

 

Gabinete do ódio

 

No despacho que autorizou a operação, Moraes escreveu que há provas que apontam para a possibilidade de o gabinete do ódio ser uma associação criminosa.

 

Gabinete do ódio é como políticos ouvidos no inquérito chamaram o grupo que produz e dissemina fake news pelas redes sociais. Para Moraes, o conteúdo produzido representa um risco para independência entre os poderes e as instituições democráticas.

 

“As provas colhidas e os laudos técnicos apresentados no inquérito apontaram para a existência de uma associação criminosa dedicada à disseminação de notícias falsas, ataques ofensivos a diversas pessoas, às autoridades e às Instituições, dentre elas o Supremo Tribunal Federal, com flagrante conteúdo de ódio, subversão da ordem e incentivo à quebra da normalidade institucional e democrática”, escreveu o ministro.

 

Fake News

 

Bolsonaro disse ainda que a operação é uma forma de censurar as redes sociais. Segundo ele, as mídias sociais foram fundamentais para levá-lo à Presidência.

 

“Essa historinha de querer criminalizar o crime de ódio é um artifício para censurar a mídia social”, afirmou.

 

O presidente disse ainda que nunca espalhou fake news. “Me apontem, mostram para mim um fake news feito por mim, um feito na campanha. Um só”, disse.

 

No início da pandemia no país, o próprio Bolsonaro se desculpou por ter replicado em redes sociais um vídeo fake que falava em desabastecimento na Ceasa de Belo Horizonte.

 

 

 

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