Paizão? Se depender do BBB, o personagem é aquele pai que resolve largar a família, arruma as malas e sai de casa deixando a mãe solo com o filho Juliano e a filha Milena nas costas. E sem direito a discutir pensão.
Brincadeiras à parte, o Sincerão do Big Brother Brasil sempre foi o ritual máximo da coragem televisiva: ou você sustenta o que diz, ou se expõe ao ridículo.
Babu teve a chance exata de colocar Ana Paula no “vômito”, como ele próprio vem vomitando pelas costas da sister há dias. Não fez. Diante dela, recuou.
A arena estava montada, o microfone aberto, o Brasil assistindo, a gosma preparada, mas ele preferiu dar aquele ‘arrego’ conveniente. O silêncio ali não foi estratégia refinada; foi cálculo defensivo.
O problema não é discordar de Ana Paula. O jogo exige confronto. O problema é escolher o momento seguro para ser valente. Minutos depois do programa terminar, Babu procurou Breno e retomou o discurso pesado, incluindo uma comparação grave com Karol Conká, evocando inclusive a palavra racismo.
Tudo que recriminou no discurso da Sol sobre esvaziamento de pauta, agora é ele quem assume esvaziar a bolha. Um tema que exige responsabilidade, clareza e, sobretudo, disposição para sustentar o que se afirma. Se a crítica é tão séria, por que não foi dita no espaço oficial? Por que a contundência só aparece quando a pessoa criticada não está presente e ao vivo termina?
Há algo de arquetípico nessa postura: o “paizão” que posa de protetor, mas na hora decisiva escolhe preservar a própria imagem. É o sujeito que ocupa o quarto principal da narrativa, fala em ética, maturidade e coerência, mas, pressionado, terceiriza o conflito. E depois, no corredor, transforma indignação em confidência seletiva. O público não é ingênuo. Ele percebe quando o jogador administra reputação em vez de assumir risco.
Reality show é sobre responsabilidade performática. Se você acusa, sustente. Se você compara, explique. Se você enxerga preconceito, diga com todas as letras olhando nos olhos. Erre como a Sol errou, pelo menos. O que não cabe é essa valentia retroativa, esse tribunal montado após o intervalo comercial.
O BBB sempre premiou quem bancou o próprio discurso. Quem prefere o sussurro ao microfone aberto não está jogando grande; está apenas tentando sair ileso. E isso, para um programa que se alimenta de verdade crua, é como a mais antiga das covardias.
Fonte: Portal IG