O Brasil enfrenta um agravamento expressivo da crise de saúde mental no ambiente profissional.
Dados recentes da Previdência Social mostram que os afastamentos por burnout cresceram mais de 800% em apenas quatro anos, saltando de 823 casos em 2021 para 7.595 em 2025.
O número reforça um cenário de adoecimento emocional cada vez mais presente nas relações de trabalho e reacende o debate sobre responsabilidade das empresas, condições laborais e direitos dos trabalhadores.
Para o advogado trabalhista André Theodoro, o crescimento dos casos não é isolado e reflete mudanças profundas no ambiente corporativo.
“O burnout não surge de um dia para o outro. Ele normalmente é consequência de pressão constante, excesso de trabalho, metas abusivas, jornadas exaustivas e ambientes organizacionais adoecedores”, afirma.
Reconhecida oficialmente pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como síndrome relacionada ao trabalho, a condição pode gerar afastamento pelo INSS e, dependendo do caso, até consequências trabalhistas para a empresa.
Segundo Theodoro, muitos trabalhadores ainda não sabem que possuem direitos quando o adoecimento está ligado ao ambiente profissional.
“Quando existe relação entre o trabalho e o esgotamento mental, o trabalhador pode ter acesso a benefícios previdenciários e, em determinadas situações, estabilidade e indenizações”, explica.
Além dos impactos individuais, o crescimento dos afastamentos também acende um alerta econômico. Milhares de dias de trabalho são perdidos todos os anos em razão de transtornos emocionais, afetando produtividade e aumentando custos para empresas e Previdência.
O tema ganha ainda mais relevância diante da atualização da NR-1, que passa a incluir fatores psicossociais no gerenciamento de riscos ocupacionais, reforçando a obrigação das empresas de prevenir situações que possam comprometer a saúde mental dos funcionários.
“A legislação trabalhista está caminhando para uma visão mais preventiva. Saúde mental deixou de ser um tema secundário e passou a fazer parte da responsabilidade legal das empresas”, destaca André Theodoro.
Para o especialista, o aumento dos números mostra que o debate sobre saúde mental no trabalho deixou de ser tendência e se tornou necessidade urgente.
“O ambiente profissional não pode continuar sendo um espaço de adoecimento silencioso. Ignorar isso hoje significa enfrentar consequências humanas e jurídicas amanhã”, conclui.
Fonte: Assessoria