sexta-feira, 13 de março de 2026

Ataques atingiram subterrâneo da maior usina nuclear do Irã, diz ONU

Órgão da ONU regulador de programas nucleares, a AIEA cita 'impacto direto' a salões com centrífugas de enriquecimento de urânio em Natanz; Bombardeios israelenses no Irã desde semana passada têm como alvo instalações nucleares e militares do rival

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Israel e Irã intensificam bombardeios no quarto dia de guerra (Foto: Reprodução)

Ataques israelenses causaram “impactos diretos” na parte subterrânea da usina nuclear de Natanz, a maior do Irã, afirmou a Agência Internacional de Energia Atômica da ONU (AIEA) nesta terça-feira (17).

“Irã: com base na análise contínua de imagens de satélite em alta resolução coletadas após os ataques de sexta-feira, a AIEA identificou elementos adicionais que indicam impactos diretos nos salões subterrâneos de enriquecimento [de urânio] em Natanz. Não há mudanças a relatar [nas usinas nucleares] em Esfahan e Fordow”, afirmou a agência em comunicado.

Esta é a primeira vez que a ONU reportou impactos diretos às centrífugas de enriquecimento de urânio operando em Natanz, o que aumenta o risco de vazamento nuclear. Estima-se que a maior usina iraniana, localizada no centro de Israel, tenha cerca de 15 mil centrífugas em funcionamento.

Natanz foi alvo de diversos bombardeios israelenses desde o início da troca de ataques aéreos entre Israel e Irã, uma escalada do conflito travado entre os dois países. Na sexta-feira passada, o Exército israelense afirmou ter causado “grandes danos” ao complexo.

O conflito entre Irã e Israel entrou no quinto dia nesta terça-feira (17). Desde sexta-feira (13), as trocas de ataques deixaram 248 mortos nos dois países, segundo autoridades locais — 224 no Irã e 24 em Israel.

O governo do Irã não se manifestou sobre a declaração da AIEA até a última atualização desta reportagem.

A AIEA é um órgão da ONU que atua como regulador de programas nucleares ao redor do mundo, e tem monitorado os impactos dos ataques de Israel nas instalações nucleares iranianas.

A agência havia alertado nos últimos dias sobre o risco de contaminação nuclear e química em decorrência dos ataques israelenses em Natanz. No entanto, os níveis de radiação fora do complexo permanecem normais até a última medição realizada pela AIEA, afirmou o diretor-geral, Rafael Grossi.

Conflito entra no 5º dia

Na madrugada desta terça, a imprensa iraniana informou que explosões foram registradas em Teerã. Bombardeios também foram reportados em Natanz, cidade onde ficam importantes instalações nucleares — a cerca de 320 km da capital.

Em meio à escalada de tensões, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, antecipou sua saída da cúpula do G7 no Canadá e decidiu voltar para Washington.

Já em Israel, sirenes de alerta soaram após a meia-noite, pelo horário local. Em Tel Aviv, foram ouvidas explosões causadas por novos ataques do Irã, segundo autoridades israelenses.

O governo iraniano afirma que a ofensiva israelense provocou 224 mortes no país, a maioria civis. Do lado israelense, as autoridades declararam que bombardeios iranianos mataram 24 civis e afetaram mais de 3 mil pessoas, que precisaram deixar suas casas.

Os dois países mantêm o discurso de que continuarão atacando e retaliando um ao outro. Enquanto isso, fontes ouvidas pela agência Reuters afirmam que o Irã pediu a Omã, Catar e Arábia Saudita que pressionem os EUA a convencer Israel a aceitar um cessar-fogo imediato.

A escalada nas tensões fez com que o presidente dos EUA deixasse o encontro do G7 no Canadá e retornasse a Washington. Segundo a imprensa americana, Trump deve se reunir nesta terça-feira com o Conselho de Segurança Nacional para tratar do assunto.

Na segunda-feira (15), o Pentágono anunciou que estava enviando mais ativos militares para o Oriente Médio. A Casa Branca negou que estivesse conduzindo uma operação contra o Irã. Já o Departamento de Defesa afirmou que a prioridade é defender os ativos americanos na região.

Fonte: Portal G1

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