G1/MS

Há vinte anos o comerciante Aparecido Alves das Neves toma café no mesmo lugar, olhando para o mesmo cenário: uma esquina da avenida Bandeirantes, a rua mais antiga do bairro Amambaí, o primeiro de Campo Grande. Nessa esquina fica uma empresa familiar que está ali há mais de 40 anos e já foi pintada de várias cores ao longo desse tempo. Numa manhã há alguns meses atrás ele observou que o muro estava sendo pintado de um jeito diferente – muitas cores, formas e paisagens que lhe distraíram enquanto tomava seu costumeiro café na lanchonete do outro lado da rua.
Impressionado com a iniciativa, Aparecido foi conversar com a dona do muro e conheceu a Luciane Cantadelle que nasceu e cresceu nesse bairro e hoje cuida da empresa da família. Ela cansou de mandar refazer a pintura do muro que amanhecia pichado e não via outra solução a não ser mandar consertar toda vez, até que teve uma ideia: “Conheci um pintor que pintou o muro da casa de um projeto no centro da cidade e resolvi oferecer esse muro como tela para ele”. A Luciane entrou em contato com o Joel, ele topou e foi assim que nasceu um ponto turístico no bairro criado pelos próprios moradores.
Em toda a extensão do muro cachoeiras, pássaros, flores e árvores em harmonia. O Joel gosta particularmente de paisagens pantaneiras mas ele jamais viu essas cenas de perto: “Eu tenho fregueses em Corumbá e já passei rapidamente por ali mas nunca enxerguei essas coisas, os desenhos vem da minha imaginação mesmo, como eu imagino que deve ser” conta o artista.
Durante a pintura do muro a empresária fez um único pedido, uma frase que ela gostaria que estivesse ali: “Gratidão gera gratidão”. Ela diz que essa frase significa muito porque afinal gratidão muda o dia de alguém: “Eu queria que esse muro inspirasse o dia das pessoas e a coisa mais importante que temos na vida é a gratidão, é o sentimento mais bonito, é tudo na vida da gente” explica emocionada.













