terça-feira, 7 de abril de 2026

Como os EUA usam IA para lançar ataques letais em minutos

Pentágono afirma que ferramenta acelera a identificação de alvos e reduz o tempo entre a identificação de um alvo e a execução do ataque. Gestão do software do projeto mudou após funcionários do Google questionarem a ética por trás do uso da tecnologia em conflitos armados

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Project Maven — Foto: Reprodução/X

Os Estados Unidos têm recorrido a um aliado não convencional na campanha contra o Irã: a inteligência artificial. No centro dessa estratégia está o Project Maven, sistema que cruza dados e imagens para identificar alvos e mapear o cenário de combate.

Quando foi criado em 2017, o projeto surgiu para apoiar analistas militares diante da avalanche de imagens geradas por drones. Até então, o trabalho era feito manualmente: operadores precisavam examinar quadro a quadro para identificar possíveis indícios.

Agora, o projeto é visto pelo governo dos EUA como um facilitador da tomada de decisão no campo de batalha. Isso porque, ao analisar dados como imagens de satélite e registros de drones, reúne dados em uma única tela, filtra informações, identifica possíveis alvos e sugere como atacá-los.

No mundo das big techs, o Project Maven sofre críticas éticas pelo uso de IA para ações militares.

Como é na prática?

Uma demonstração do Departamento de Defesa em março mostrou como funciona a plataforma.

Veja o passo a passo:

Integração de dados: o sistema reúne informações de sensores e imagens em uma única tela, permitindo visão do campo de batalha.

Filtragem: o operador seleciona e organiza os dados na própria interface.

Identificação de alvos: ao detectar um elemento suspeito, o sistema transforma a informação em um alvo.

Classificação: os alvos são organizados por tipo, o que orienta a tomada de decisão.

Sugestão de ataque: a plataforma cruza dados e indica escolhas.
Decisão e ação: o operador escolhe uma das opções e inicia a operação.

Execução integrada: todo o processo ocorre no mesmo sistema.

Segundo o chefe de IA do departamento, Cameron Stanley, graças ao programa, o que antes exigia programas diferentes e horas de trabalho humano agora leva minutos.

“Estávamos fazendo isso em cerca de oito ou nove sistemas, onde humanos estavam literalmente movendo detecções de um lado para o outro para chegar ao nosso estado final desejado”, disse.

Do Google à Palantir

A Palantir é a empresa responsável pelo software de IA que alimenta o projeto. Mas essa não foi sempre a realidade.

Quando o projeto começou, em 2017, o Google era responsável pelo seu desenvolvimento. Mas questões éticas acerca do uso de IA em conflitos armados fizeram a big tech desistir.

Em 2018, mais de 3 mil funcionários da empresa assinaram uma carta aberta para denunciar que o contrato ultrapassava uma linha vermelha. De acordo com a AFP, engenheiros da empresa chegaram a pedir demissão.

Isso fez com que o Google se recusasse a renovar o contrato. A empresa, então, publicou uma carta ética sobre IA que excluía qualquer participação em sistemas de armamento.

Em fevereiro do ano passado, contudo, a empresa alterou sua política de inteligência artificial (IA) e removeu uma cláusula que proibia o uso da tecnologia para o desenvolvimento de armas e vigilância.

Após a desistência do Google, a Palantir ocupou o lugar no projeto. Desde então, passou a liderar o fornecimento do Project Maven, com sua tecnologia de inteligência artificial formando a base central de funcionamento do programa.

A Palantir é uma empresa americana de tecnologia especializada em análise de dados, conhecida por softwares usados por governos e forças de segurança. A empresa é alvo de críticas por fornecer tecnologia ao ICE, usada em operações contra imigrantes e alvo de debates sobre direitos civis.

Os resultados
 
O Pentágono e a Palantir se recusaram comentar sobre o desempenho do Maven na guerra com o Irã. Entretanto, segundo a AFP, o ritmo dos ataques americanos mostra que o projeto provavelmente acelerou o processo de seleção de alvos e de disparo.

Nas primeiras 24 horas da Operação Fúria Épica, iniciada em 28 de fevereiro, as forças americanas atingiram mais de mil alvos.

Uma reportagem publicada pelo jornal norte-americano The New York Times em 2024 aponta que o Maven enfrentou o seu primeiro teste real na Guerra da Ucrânia, mas ali o software enfrentou um problema.

Segundo o jornal, a guerra evidenciou que é difícil aplicar tecnologia avançada em um conflito que ainda se parece com guerras do passado, baseadas em trincheiras e artilharia pesada.

Fonte: Portal G1

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