sábado, 7 de fevereiro de 2026

Direita tenta se organizar para disputa pelo Planalto em meio à pressão da família Bolsonaro

Apesar de Flávio Bolsonaro ter sido anunciado como sucessor do pai, lideranças da direita e do Centrão ainda não o adotaram como candidato

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O senador Flávio Bolsonaro chamou de "ruído" divergência com Michelle Bolsonaro e disse que isso não vai mais acontecer (Foto: Divulgação)

A direita ainda vive um cenário de incerteza para as eleições de 2026, mesmo após a indicação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) sobre quem será seu sucessor na disputa pelo Palácio do Planalto: seu filho “01”, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A escolha frustrou parte das lideranças do campo conservador, que já manifestaram publicamente resistência ao nome.

Entre elas, estão partidos do Centrão, que defendem uma articulação em torno do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como alternativa para enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tentará a reeleição.

A resistência ao nome de Flávio Bolsonaro dentro do campo da direita é apontada por pesquisas recentes. Jair Bolsonaro e seu filho aparecem como os políticos com maior índice de rejeição, segundo dados da pesquisa Genial/Quaest divulgada dia 16 de dezembro.

Ambos registram 60% de rejeição. Além disso, 54% dos eleitores brasileiros avaliam que o ex-presidente errou ao indicar o filho como seu substituto na eleição presidencial de 2026.

Ainda assim, o levantamento realizado após o anúncio da pré-candidatura do filho “01” de Bolsonaro mostra Flávio como o nome mais competitivo da direita em um eventual segundo turno das eleições do próximo ano — embora ele ainda perdesse para o presidente Lula. Flávio Bolsonaro aparece com 36% das intenções de voto, contra 46% de Lula, diferença que não seria suficiente para uma vitória do senador.

Além de Flávio, a direita já tem como pré-candidatos: O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil); O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo); O governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD) e o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD)

‘O candidato do Bolsonaro’

Mesmo diante desse cenário de incertezas, o PL mantém Flávio Bolsonaro como sua principal aposta. O deputado Luciano Zucco (PL-RS), que já foi líder da oposição na Câmara, afirmou ao Terra que o partido recebeu com “muita responsabilidade e motivação” a indicação de Flávio como pré-candidato.

Segundo Zucco, apesar das especulações envolvendo outros nomes fortes da direita, o cenário mudou após a definição do ex-presidente. “Existiam especulações em torno do nome do Tarcísio, que é um craque, um grande nome também. Mas o Flávio é também um pré-candidato competitivo e ele é o candidato do Bolsonaro. O Tarcísio já se pronunciou dizendo apoiar o Flávio”, afirmou.

O deputado destacou ainda a necessidade de ampliar alianças partidárias ao longo do processo eleitoral. “Durante essa caminhada a gente vai ter ainda que construir com outras siglas, como Republicanos, Progressistas e União Brasil, que estão mais próximos do PL”, avaliou.

Para Zucco, o desempenho de Flávio nas pesquisas em meio à pluralidade de candidaturas no campo conservador não é necessariamente negativa. “O Flávio está tendo uma boa pontuação [nas pesquisas], ele está tendo uma boa aceitação em torno dos nomes que estão em paralelo”, afirmou, citando os governadores Romeu Zema e Ronaldo Caiado.

Na avaliação do parlamentar, “até mesmo ter várias candidaturas não é de todo ruim, até porque todas são de centro-direita e não concordam com o projeto da esquerda”. Ainda assim, ele reconheceu que o cenário permanece em construção. “Ainda tem muita água pra rolar debaixo da ponte”, disse.

A deputada federal Rosana Valle (PL-SP), possível nome da sigla para a disputa ao Senado por São Paulo em 2026, afirmou que as articulações estão em andamento e disse acreditar que o centro e a direita têm condições de se unir em torno de Flávio Bolsonaro. “O Flávio Bolsonaro está se reunindo, desde que anunciou a pré-candidatura, com os partidos para agregar essas alianças. E acho que agora, com a definição do Flávio, as alianças vão crescer”, afirmou.

A expectativa, segundo Zucco, é iniciar 2026 “já numa pré-campanha muito forte”, destacando a importância das alianças partidárias e da unidade estratégica no campo da direita. “O sistema político brasileiro exige e é importante que tenham construções com outras siglas”, disse, citando fatores como tempo de TV e formação de nominatas. Ele reconheceu a existência de outros pré-candidatos da direita, mas garantiu convergência no objetivo final. “Se não no primeiro turno, com certeza no segundo turno estaremos juntos”, afirmou, defendendo um diálogo “franco e respeitoso”.

Fonte: Portal Terra

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