sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Entenda por que o café deve continuar com preços altos em 2026

Em cinco anos, comercialização encareceu 116%. Consumo caiu no ano passado, mas faturamento do setor aumentou

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Café tem maior alta da cesta básica em 2025, e preço deve manter patamar atual (Foto: Divulgação)

O café foi o item da cesta básica que mais encareceu em 2025, apontou um levantamento da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), divulgado nesta quinta-feira (29).

E o preço da bebida deve continuar alto em 2026. Isso porque, mesmo com a expectativa de uma maior oferta, devido à boa safra, os estoques mundiais do grão estão esvaziados e a colheita deste ano deve ser usada para recompor essas reservas, aponta Pavel Cardoso, presidente da Abic.

O faturamento da indústria de café torrado cresceu 25,6% em 2025, na comparação com 2024, e chegou a R$ 46,24 bilhões. Segundo a associação, a alta foi provocada pelo aumento do preço do café no supermercado.

Entre 2021 e 2025, o valor subiu 116% para o consumidor. Mesmo assim, a alta foi menor do que a registrada pela indústria para a compra do alimento dos produtores. O preço do arábica, o tipo mais comum consumido no Brasil, cresceu 212%.

Esse aumento é resultado de problemas climáticos que afetaram as lavouras nos últimos anos, como geadas, secas e temperaturas elevadas. Com menos grãos disponíveis no mercado, os preços ficaram mais altos.

Como resultado, houve uma queda do consumo em 2,31% em 2025.
Apesar da queda, Cardoso avalia que o consumo no Brasil é resiliente e se manteve relativamente estável, mesmo após aumentos expressivos nos últimos anos.

Como fica o café em 2026

Mesmo sem balanços oficiais da safra, o presidente da Abic avalia que o Brasil deve ter uma boa colheita em 2026.

Isso porque o La Niña, evento climático vigente no ano passado, provocou menos extremos climáticos nas áreas produtoras. Isso permitiu calor quando era necessário e chuvas nas épocas em que elas são importantes e no volume certo.

Contudo, Cardoso afirma que seriam necessárias ao menos duas boas safras, ou seja, boa colheita por dois anos seguidos, para gerar uma queda real nos preços do café. O foco da indústria, neste momento, é recuperar os estoques.

Por outro lado, ele acredita ser possível uma recuperação do consumo. Com mais grãos disponíveis, os preços tendem a oscilar menos, o que pode abrir espaço para promoções nos supermercados.

“Qualquer baixa do preço na prateleira, o consumidor já faz uma compra adicional e monta seu próprio estoque em casa. Ele não abre mão do café”, afirma.

Uma leve queda nos preços já foi observada em dezembro. O café tradicional extraforte, por exemplo, ficou 7,1% mais barato em relação ao mês anterior.

A redução ocorreu após a queda no preço da matéria-prima, repassada pela indústria ao consumidor.

O café em cápsulas ficou 13,2% mais barato em dezembro, na comparação com novembro. Em relação a janeiro de 2025, a queda chega a 16,8%.

Segundo Cardoso, isso ocorre porque a quantidade de café por quilo comercializado é diferente nas cápsulas em relação aos pacotes tradicionais.

Além disso, ele avalia que a indústria pode ter fechado acordos para vender o produto mais barato a partir de abril, após a queda na cotação do café, impulsionada pela expectativa de uma boa safra de robusta.

Fonte: Portal G1

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