O dólar fechou em queda de 0,29% nesta segunda-feira (13), cotado a R$ 4,9969. É a primeira vez em mais de dois anos que a moeda americana encerra abaixo de R$ 5. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, avançou 0,34%, aos 198.001 pontos, atingindo um novo recorde.
O resultado reflete os novos desdobramentos da guerra no Oriente Médio. O dia começou com os mercados em baixa após o fracasso nas negociações por um acordo de paz entre Estados Unidos e Irã no fim de semana. Mais tarde, porém, novas notícias elevaram o otimismo dos investidores.
O presidente Donald Trump afirmou que recebeu uma ligação das “pessoas certas do Irã” e que elas “querem muito fechar um acordo”. Ele acrescentou que, caso não haja um acordo, o resultado “não será agradável” para os iranianos.
▶️ Mais cedo, as declarações apontavam para uma escalada do conflito. Trump chegou a dizer que destruirá qualquer navio iraniano que se aproximar do bloqueio dos EUA no Estreito de Ormuz, como fez com embarcações no Caribe em operações contra o tráfico de drogas.
▶️ Nesta manhã, entrou em vigor o bloqueio anunciado por Trump a navios que circulem pela rota de ou para portos iranianos.
▶️ Dois petroleiros associados ao Irã deixaram o Golfo Pérsico nesta segunda-feira, enquanto outras embarcações passaram a evitar o Estreito de Ormuz. A medida abalou o mercado de transporte marítimo em um dos principais corredores do comércio global.
🛢️ O tipo Brent, referência global, subia 3,27% por volta das 16h, negociado a US$ 98,31 por barril. Já o WTI (West Texas Intermediate), usado como referência nos EUA, avançava 1,35%, a US$ 97,87.
▶️ No Brasil, o destaque foi o Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central. A expectativa de inflação para 2026 voltou a superar o teto da meta, em meio às preocupações com a guerra no Oriente Médio. Para este ano, a projeção do IPCA subiu a 4,71%, de 4,36%, na quinta alta seguida.
▶️ Investidores também acompanharam declarações do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em eventos do Banco Mundial e do FMI.
Bloqueio naval ao estreito de Ormuz
Após um cessar-fogo cambaleante entre Estados Unidos e Irã na semana passada, Donald Trump prometeu implantar um bloqueio naval no Estreito de Ormuz a partir desta segunda-feira.
Segundo o Exército dos EUA, qualquer navio que entrar ou sair de um porto no Irã será interceptado. Em resposta, o Irã afirmou que poderá retaliar portos caso a medida seja efetivada.
Por causa da tensão, apenas poucos navios ligados ao Irã saíram do Golfo Pérsico, e o movimento na área caiu bastante. Ao mesmo tempo, há risco de conflito, já que o Irã avisou que pode reagir.
Mesmo com o bloqueio, os EUA disseram que não vão impedir a passagem de navios que não tenham relação com o Irã. Ainda assim, a incerteza já está afetando o transporte e o mercado de petróleo.
Rússia, China e União Europeia criticaram tanto o Irã quanto os EUA pela obstrução da rota. Em meio ao risco de uma nova escalada militar, o preço do petróleo voltou a subir.
No fim de semana, negociações consideradas históricas no Paquistão entre EUA e Irã terminaram sem acordo.
O vice-presidente americano, JD Vance, deixou o país após afirmar que as tratativas foram encerradas na madrugada de domingo (sábado no Brasil), após a recusa de Teerã em aceitar os termos de Washington para não desenvolver uma arma nuclear.
As conversas de “alto nível” duraram 21 horas e, segundo Vance, ocorreram com ele em contato constante com Donald Trump e outros integrantes do governo.
Vance afirmou a jornalistas que Washington precisa de um compromisso claro de que o Irã não buscará desenvolver uma arma nuclear nem os meios que permitiriam obtê-la rapidamente.
Já na tarde desta segunda Trump disse que recebeu uma ligação das “pessoas certas do Irã” e que elas “querem muito fechar um acordo”.
A jornalistas, Trump disse que seu governo foi procurado para negociar o fim à guerra, mas que Teerã não concordou com sua exigência do país “não possuir armas nucleares”. Afirmou que os EUA vão recuperar o material nuclear existente no país e que o presidente da China, Xi Jinping, “quer ver isso acabar”.
“O Irã não terá uma arma nuclear… Se eles não concordarem, não haverá acordo. Nunca haverá”, declarou. O pronunciamento aconteceu na Casa Branca, ao lado do Salão Oval.
Fonte: Portal G1



