quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

STJ restringe a Reinaldo investigação sobre propina paga por curtume e frigoríficos

Este é o segundo inquérito sobre corrupção envolvendo Reinaldo que tramita no STJ.

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EDIVALDO BITENCOURT
Do O Jacaré

 

Com desmembramento, só governador responderá por suposta corrupção envolvendo incentivos fiscais a frigoríficos e curtume (Foto: Arquivo)

O Superior Tribunal de Justiça desmembrou a denúncia sobre o suposto pagamento de propina por curtume e frigoríficos a autoridades de Mato Grosso do Sul. A relatora do inquérito 1.198, ministra Maria Thereza de Assis Moura, decidiu manter no STJ apenas a investigação contra o governador Reinaldo Azambuja, e enviou o restante para a 1ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande.

 

A decisão da ministra ressuscitou a polêmica envolvendo o titular da vara, juiz Carlos Alberto Garcete de Almeida, e o Ministério Público Estadual. No ano passado, o magistrado tinha colocado sob suspeita o trabalho do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), que tinha decidido investigar a vítima da suposta corrupção e ignorado as autoridades.

 

Garcete pediu a reconsideração da decisão da ministra, para que avocasse todo o inquérito para o STJ. Ele voltou a desconfiar do trabalho realizado pelos órgãos de investigação de Mato Grosso do Sul.

 

Este é o segundo inquérito sobre corrupção envolvendo Reinaldo que tramita no STJ. O outro apura o suposto pagamento de R$ 38,4 milhões em propina pela JBS, conforme delação homologada em maio do ano passado pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal.

 

Trecho do despacho da ministra do STJ publicado ontem (Foto: Reprodução)

 

O caso envolvendo Reinaldo com a denúncia de propina paga por empresas para obter ou manter benefícios fiscais começou a tramitar em 21 de agosto do ano passado. O caso corre em sigilo, mas só se tornou público com o despacho da ministra publicado nesta quarta-feira (13).

 

O escândalo foi tema do Fantástico, programa da TV Globo, em 28 de maio de 2017. Na ocasião, o empresário José Alberto Miri Berger, dono do curtume Braz Peli, revelou que só conseguiu reativar o incentivo fiscal mediante pagamento de propina de R$ 500 mil para o ex-secretário Sérgio de Paula, então chefe da Casa Civil.

 

O programa exibiu um vídeo em que ele pagava R$ 30 mil para o corretor de gado José Ricardo Guitti Guímaro, o Polaco. Ele contou que o grupo exigiu o pagamento de R$ 150 mil por mês para manter o benefício fiscal.

 

O empresário Benilson Esteves Tangerino e o presidente da Assocarnes (associação de frigoríficos), João Alberto Dias, também denunciaram a cobrança de propina em troca de incentivos fiscais.

 

Além de Polaco, do ex-chefe da Casa Civil e do governador, o inquérito investiga o ex-coordenador regional do Governo, Zelito Alves Ribeiro, o superintendente de Administração Tributária, Lauri Kener, e o conselheiro do Tribunal de Contas e ex-secretário estadual de Fazenda, Márcio Monteiro.

 

Inicialmente, o Gaeco só investigou os crimes fiscais cometidos pelos empresários, que fizeram a denúncia. Em meio a polêmica com o juiz, o Gaeco citou o suposto envolvimento do governador e pediu a remessa de todo o inquérito para o Superior Tribunal de Justiça.

 

O processo começou a tramitar em agosto do ano passado. A ministra determinou o desmembramento do caso para manter na corte apenas o caso envolvendo o governador, que possui a prerrogativa de foro.

 

Com a manifestação do juiz da 1ª Vara do Tribunal do Júri, de que todo o processo fique em Brasília, a ministra determinou a manifestação da procuradora-geral da República, Raquel Dodge.

Ministra Maria Thereza é a relatora de outra denúncia de corrupção envolvendo governador (Foto: Arquivo)

 

No despacho, a ministra destaca em aspas os questionamentos do juiz, de que existe “inércia dos órgãos investigativos” de Mato Grosso do Sul e existe o risco de que “não se lobriga maior êxito investigativo na instância estadadual”.

 

Maria Thereza acatou pedido do empresário José Berger, para que tenha acesso ao depoimento prestado sobre o caso à Polícia Federal no dia 4 deste mês. Ou seja, outro indício de que o inquérito não está parado no STJ.

 

A ministra negou pedido feito pelo advogado Gustavo Passarelli, da defesa de Reinaldo, para que seja informada sobre mídias anexadas ao processo. Ela frisou que o defensor constituído tem acesso aos autos. O inquérito conta com seis volumes e 10 apensos até o momento.

 

Desde que foi envolvido no caso, o governador tem reiterado que as acusações só foram feitas porque ele vem combatendo as irregularidades fiscais. No caso, a Braz Peli vem travando uma guerra jurídica para reativar as isenções.

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