Com o Carnaval se aproximando, cresce a pressa para transformar o corpo em tempo recorde. O “projeto Carnaval” aparece nas conversas, nas redes sociais e nas academias, quase sempre acompanhado de promessas rápidas.
Mas a busca pelo “shape de última hora” pode virar um atalho perigoso quando envolve treinos excessivos, falta de descanso e até uso de medicamentos sem prescrição.
Na prática, esse impulso pode trazer consequências como lesões, exaustão, mal-estar, taquicardia e efeitos adversos graves, principalmente quando não há orientação profissional e nem avaliação prévia.
Inez Oliveira, docente de Educação Física da Estácio, alerta que resultados imediatos raramente vêm com segurança. “Resultados imediatos dificilmente se tornam seguros. Todo protocolo de treinamento ou intervenção precisa ser orientado por profissionais capacitados”, afirma.
Um dos erros mais comuns no pré-Carnaval é aumentar carga e intensidade de forma brusca, especialmente em quem está voltando a treinar ou não tem preparo físico. Segundo a professora, em um corpo “destreinado”, esse excesso costuma terminar em lesão.
“Até o controle da intensidade, carga e volume precisam ser periodizados. Sempre que um indivíduo provoca intensidade demais nos treinamentos sem um protocolo individual, vem a lesão”, reforça. E o resultado pode ser o oposto do esperado: “Aí acaba pausando três semanas, seis semanas, dependendo do que pode ocorrer”.
Ela também chama atenção para o uso indiscriminado de estimulantes e pré-treinos, muitas vezes combinados com cardio intenso e pouca recuperação. “O sujeito nem sabe se pode fazer uso, se tem alguma arritmia cardíaca ou alguma doença no coração. Isso pode gerar gatilhos e até provocar um infarto ou AVC”, alerta.
Canetas emagrecedoras – Além do excesso de treino, cresce a procura por emagrecimento rápido com as chamadas “canetas emagrecedoras”, popularizadas como solução imediata para o “projeto Carnaval”. A professora Patrícia Pacheco, docente de Biomedicina da Estácio e mestre em fisiopatologia endócrina, afirma que a urgência estética tem levado muita gente a usar esses medicamentos sem acompanhamento.
“Com a proximidade do Carnaval, a urgência estética muitas vezes atropela a fisiologia, e é aí que moram os riscos”, diz. Para ela, o problema é tratar como estética algo que exige cuidado. “Essas medicações são ferramentas fantásticas para o tratamento da obesidade e doenças metabólicas, mas devem ser encaradas como um tratamento de saúde a longo prazo, e não como um acessório temporário.”
Segundo Patrícia, o uso sem orientação pode provocar complicações como pancreatite aguda, gastroparesia, hipotensão com desidratação e sarcopenia acelerada — quando o corpo perde massa muscular e força.
“Sem o cálculo correto de proteínas, o corpo ‘devora’ os próprios músculos para obter energia, o que destrói o metabolismo a longo prazo”, alerta.
Entre os sinais de atenção estão dor abdominal intensa, vômitos persistentes, constipação severa, tonturas, taquicardia e confusão mental. E no Carnaval, o risco pode passar despercebido. “A adrenalina da festa mascara muitos sinais. O álcool ‘anestesia’ a dor abdominal inicial, e a pessoa só percebe a gravidade quando o quadro já está crítico”, afirma.
O que dá para fazer – Não existe milagre: resultados consistentes são construídos com tempo, orientação e planejamento. “Todo e qualquer resultado não é construído em poucas semanas. É um trabalho de meses, de treino individualizado”, diz Inez.
Ela destaca que o profissional de Educação Física é essencial para prescrever o treino com avaliação física, análise postural e metas realistas. “O resultado é longevidade no esporte”, resume.
Já Patrícia explica que, em poucas semanas, é possível melhorar disposição e reduzir inchaço, desde que o foco esteja em hábitos seguros: cortar ultraprocessados e excesso de sódio, aumentar fibras e manter hidratação adequada. “Beber pelo menos 35 ml de água por cada quilo de peso corporal”, recomenda.
No fim, o melhor “projeto Carnaval” é o que não coloca a saúde em risco e permite curtir a festa com energia, segurança e bem-estar.
Fonte: Assessoria