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De franco apoiador à traidor. Para muitos bolsonaristas, é assim que o Carlos Vereza é visto agora. A polêmica em torno do nome do ator se acendeu nesta sexta, quando ele anunciou nas redes sociais que estava rompendo com o governo: “tirei o meu time.” Em seguida, diante da fúria da tropa de defensores do presidente e de suas ideias, o ator, que antes era um dos líderes de apoiadores de Jair Bolsonaro entre a classe artística, decidiu tornar o seu perfil no Facebook fechado ao público. Em um texto de despedida, ele ressaltou: “O que me motiva a escrever para poucas pessoas é estar constatando a invasão de uma horda de bárbaros, quadrúpedes fanatizados, filhotes sectários formados pelo populismo do honesto mas egocêntrico Jair Messias Bolsonaro.”
Vereza não foi o único a abandonar o barco de apoio ao presidente. Nos últimos dias, o país assistiu uma debandada de figura públicas que apoiaram Bolsonaro nas últimas eleições. A deputada Janaína Paschoal, do PSL, foi uma das primeiras a declarar, em meio às polêmicas em torno da quarentena para conter a Covid-19, que não estava mais do lado do presidente. Dona de credenciais conservadoras e católica fervorosa, a deputada, que chegou a ser cotada para vice, fez duras críticas não só a Bolsonaro como a seus filhos nas redes sociais. “Mas quem o está colocando em risco é ele, os filhos dele e alguns assessores que o cercam. Acordem! Dia 26, se as ruas estiverem vazias, Bolsonaro perceberá que terá que parar de fazer drama para TRABALHAR!… “, escreveu em uma das postagens.
O Cantor Lobão também explanou o seu descontentamento com o governo de Bolsonaro. Ele declarou, entre outras, que o presidente “não tem capacidade intelectual para gerir o Brasil. Outro famoso apoiador do presidente, o empresário Luciano Hang, ameaçou jogar a toalha de apoio caso o governo não cumpra seus compromissos. Depois de desavenças públicas, o governador de São Paulo, João Dória (PSDB), declarou que se arrependia de ter votado em Bolsonaro no segundo turno. Antes muito próximo da família Bolsonaro, o governador Wilson Witzel (PSC) também já rompeu com o presidente. As brigas começaram quando Bolsonaro o acusou de ter vazado informações no caso do assassinato da vereadora Marielle Franco e se estremeceram ainda mais diante das divergências sobre o isolamento social.
A última postagem do ator na íntegra:
“Hoje encerro minhas postagens abertas ao público. Quando iniciei no Facebook, há tempos, procurei fazer o melhor, pesquisar sempre temas que pudessem acrescentar algum tipo de intercâmbio com amigos, que nunca considerei virtuais.
Percebi neste tão maltratado e revolucionário meio de comunicação, um instrumento de difusão de ideias, algo como um diário eletrônico, com a vantagem de não acariciar o ego nem a posteridade, pois mal o texto é rabiscado, despenca, silencioso, para algum limbo digital.
Não tomo essa decisão por cansaço. O que me motiva a escrever para poucas pessoas, é estar constatando a invasão de uma horda de bárbaros, quadrúpedes fanatizados, filhotes sectários formados pelo populismo do honesto mas egocêntrico Jair Messias Bolsonaro.
Nada veem além da própria limitação para compreender, que a crítica bem-intencionada, significa alguma esperança no político que apoiei publicamente, antes das eleições, e mesmo depois, e depois.
Mas os dedos acusadores erguem-se ao lado de clichês, de frases mal articuladas. E, os que tentam apontar os desvios de rumo do presidente, são alvo da ignorância, do linchamento de reputações.
Sim, fiz muitos e queridos amigos e amigas; tantos que me honraram com trocas intelectuais, amoráveis, e nunca virtuais.
Mas tentar a racionalidade neste momento, é tarefa semelhante ao mito de Sísifo – no caso, em geral, dialogar com o próprio eco.”
Abraços fraternos. Carlos Vereza