terça-feira, 17 de março de 2026

Mato Grosso do Sul tem 18 vagas abertas para especialização em enfermagem neonatal pelo SUS

Ministério da Saúde inicia, nesta segunda-feira (16), a seleção de profissionais de enfermagem que atuam em unidades neonatais de referência no Sistema Único de Saúde (SUS), por meio da Especialização em Enfermagem Neonatal.

Com investimento de R$ 2,6 milhões, serão ofertadas 310 vagas por meio de edital nacional. As inscrições estão abertas a partir de hoje e vão até o dia 6 de abril na plataforma SIGA-LS (veja abaixo). O Mato Grosso do Sul conta com 18 vagas a serem preenchidas, na capital Campo Grande e em Dourados.

As oportunidades são voltadas às regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, onde há maior déficit dessa especialização. A previsão de início do curso é no mês de junho.

De acordo com o secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, Felipe Proenço, a iniciativa é mais uma ação para qualificar a força de trabalho e ampliar a cobertura de atendimentos para o público feminino.

“Nosso objetivo é fortalecer e valorizar a enfermagem no âmbito do SUS, além de qualificar a oferta dos serviços. Ao atacar desigualdades históricas, fortalecemos a resolutividade nas redes regionais”, destaca. 

O curso será executado pelo Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz). A especialização em Enfermagem Neonatal para o SUS: Redução de desigualdades e Qualificação de Atenção Neonatal terá duração de 14 meses.

Com a formação, que integra o programa Agora Tem Especialistas, será possível ampliar em mais de 30% o número atual de enfermeiros neonatais que atuam no SUS.

Oportunidades nas capitais e no interior 

Do total de vagas, 206 são para capitais (66%) e 104 para municípios do interior (34%). Regionalmente, a oferta será de 56 para o Centro-Oeste, 182 para o Nordeste e 72 para o Norte, contemplando 64 hospitais em 36 municípios brasileiros.

Em Campo Grande, as vagas serão destinadas a três unidades de saúde: Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian; Hospital Regional de Mato Grosso do Sul; e Associação de Amparo à Maternidade e à Infância (Aami). Já em Dourados, as vagas são para o hospital da Universidade Federal da Grande Dourados.

O edital também reserva 172 vagas para ações afirmativas. A oferta de mais profissionais especializados possibilita identificação precoce de riscos, manejo clínico oportuno e intervenção segura, reduzindo óbitos evitáveis.

Reforço para a Saúde da Mulher

O Ministério da Saúde tem investido na formação de mais especialistas para fortalecer a atenção obstétrica e neonatal no SUS. Em 2025, foram destinados R$ 17 milhões à realização da Especialização em Enfermagem Obstétrica – Rede Alyne.

O curso conta com 760 profissionais de enfermagem, em parceria com 38 instituições vinculadas às Instituições de Ensino Superior (IES) e Escolas de Saúde Pública (ESP). O curso é executado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com o apoio da Associação Brasileira de Obstetrizes e Enfermeiros Obstetras (Abenfo).

O curso teve como diferencial a priorização de profissionais que atuam em territórios interiorizados, fortalecendo o compromisso com a equidade e a ampliação do acesso à formação especializada.

Dessa forma, a maior concentração de aprovados, por meio de edital, foi no Nordeste 264 (35%), em 368 municípios. Além de presença nos nove estados da Amazônia legal, com total de 194 vagas disponibilizadas.

Fonte: Ministério da Saúde

Cuidar da saúde da mulher exige compreender o corpo feminino

(*) Por Giovana Colletti

A saúde da mulher ainda é frequentemente discutida de maneira fragmentada é normal vermos falas sobre hormônios em consultórios ginecológicos, de dietas em redes sociais e de saúde mental em outros espaços completamente separados.

Apesar disso, o corpo feminino não funciona em compartimentos isolados, a alimentação, metabolismo, hormônios e bem-estar emocional estão profundamente conectados e precisam estar bem alinhados para o funcionamento adequado desse sistema. Nesse contexto, a nutrição assume um papel central no cuidado com a saúde feminina ao longo de todas as fases da vida.

Mulheres passam por mudanças fisiológicas marcantes ao longo da vida. Puberdade, ciclo menstrual, gestação, pós-parto e menopausa representam períodos de intensa adaptação metabólica e hormonal. Essas mudanças influenciam diretamente o gasto energético, o apetite, a composição corporal e até mesmo o humor. Por isso, estratégias nutricionais que ignoram essas particularidades tendem a ser pouco eficazes e, muitas vezes, prejudiciais.

Um exemplo claro está no próprio ciclo menstrual. Pesquisas mostram que o gasto energético basal pode variar ao longo do ciclo, especialmente durante a fase lútea, quando há aumento do metabolismo e maior sensação de fome. Esse fenômeno é fisiológico e não representa falta de disciplina alimentar, como muitas mulheres acabam acreditando.

Outro ponto importante é a composição corporal feminina. Mulheres apresentam naturalmente maior percentual de gordura corporal essencial, necessário para funções hormonais e reprodutivas, essa característica influencia a forma como o organismo armazena e utiliza energia. Intervenções nutricionais extremamente restritivas podem comprometer esse equilíbrio e afetar a saúde hormonal, inclusive alterando o ciclo menstrual.

Além disso, algumas deficiências nutricionais são mais comuns em mulheres devido às demandas fisiológicas específicas. A deficiência de ferro, por exemplo, é uma das carências nutricionais mais frequentes no mundo e afeta principalmente mulheres em idade reprodutiva. Segundo a Organização Mundial da Saúde, milhões de mulheres apresentam anemia por deficiência de ferro, condição que pode causar fadiga, queda no desempenho cognitivo e redução da qualidade de vida.

Nutrientes como cálcio, vitamina D e ácido fólico também merecem atenção especial. O cálcio e a vitamina D desempenham papel importante na saúde óssea, especialmente na prevenção da osteoporose, uma condição que afeta predominantemente mulheres após a menopausa.

Já o ácido fólico é essencial durante o período reprodutivo, pois está associado à prevenção de malformações no desenvolvimento fetal. Diante disso, fica claro que cuidar da saúde da mulher vai muito além da busca por emagrecimento, a nutrição precisa ser compreendida como um instrumento de suporte à fisiologia feminina.

Isso envolve priorizar alimentos ricos em nutrientes, manter regularidade nas refeições e respeitar as necessidades individuais do corpo em diferentes momentos da vida.

Também é importante destacar que saúde não deve ser confundida com padrões estéticos, muitas mulheres são levadas a acreditar que cuidar da alimentação significa viver em permanente restrição alimentar.

Na prática, a ciência mostra o oposto: padrões alimentares equilibrados e sustentáveis são mais eficazes para promover saúde metabólica e bem-estar a longo prazo. No fim das contas, uma alimentação adequada não é apenas uma estratégia para controlar o peso. É um dos pilares mais importantes para preservar energia, equilíbrio hormonal e qualidade de vida.

(*) Nutricionista – Pós-graduada em Nutrição Estética, Esportiva e Saúde da Mulher

SUS começa a usar novo tratamento contra a malária em crianças

O Ministério da Saúde iniciou o novo tratamento contra a malária em crianças menores de 16 anos de idade no Sistema Único de Saúde (SUS) com o uso de tafenoquina na formulação pediátrica de 50 mg, indicada para pesos entre 10 kg e 35 kg.

O público infantil concentra cerca de 50% dos casos da doença no país. Até então, o medicamento era ofertado apenas a jovens e adultos a partir de 16 anos de idade.

A entrega do medicamento está sendo feita de forma gradual, com foco em áreas prioritárias na região Amazônica.

O Brasil tornou-se o primeiro país do mundo a disponibilizar esse tipo de tratamento para crianças.

Inicialmente, serão distribuídos 126.120 comprimidos da tafenoquina pediátrica para ampliar o controle da doença em todo o território nacional.

O ministério esclareceu que o novo medicamento passou a ser indicado para pessoas com malária vivax (Plasmodium vivax), com peso acima de 10 kg, que não estejam grávidas ou em período de amamentação.

O uso do medicamento tem se mostrado eficaz, reduzindo as recaídas e a transmissão da doença.

Até então, o esquema terapêutico disponível exigia tratamento por até 14 dias, o que dificultava a adesão, especialmente entre crianças.

De acordo com o Ministério da Saúde, “a nova apresentação do fármaco será administrada em dose única, o que proporciona mais conforto e praticidade para as famílias e profissionais de saúde, maior adesão à terapia, eliminação completa do parasita e a prevenção de recaídas”

Ainda segundo o ministério, o medicamento “contribui para a interrupção da transmissão da doença, possibilita o ajuste da dose conforme o peso da criança, garantindo maior eficácia do tratamento”.

O ministério investiu R$ 970 mil na compra do medicamento e já recebeu 64.800 doses que serão distribuídos em áreas de maior incidência como os Distritos Sanitários Especiais Indígenas Yanomami, Alto Rio Negro, Rio Tapajós, Manaus, Vale do Javari e Médio Rio Solimões e Afluentes.

Esses territórios concentram cerca de 50% dos casos de malária em crianças e jovens de até 15 anos.

O primeiro a ser contemplado foi o DSEI Yanomami, com 14.550 comprimidos. O território foi a primeira região do país a receber a tafenoquina 150 mg, indicada para pacientes com mais de 16 anos, em 2024.

“A malária é um dos principais desafios de saúde pública na região Amazônica, especialmente em áreas de difícil acesso e territórios indígenas, onde fatores geográficos e sociais ampliam a vulnerabilidade à doença”, reconhece o ministério.

O Ministério da Saúde informou que segue intensificando o monitoramento e o reforço das ações de controle vetorial, a busca ativa e a disponibilização de testes rápidos entre outras estratégias de combate à doença na região.

Entre 2023 e 2025, somente no território Yanomami houve aumento de 103,7% na realização de testes, crescimento de 116,6% no número de diagnósticos e redução de 70% nos óbitos pela doença.

Em relação a todo o país, em 2025 foi registrado o menor número de casos (120.659) desde 1979, com 15% de redução em relação a 2024.

No mesmo período, também houve uma redução de 16% em áreas indígenas de todo o país.

A Amazônia concentra 99% dos casos do país. No ano passado, foram registrados 117.879 casos na região.

Fonte: Agência Brasil

Pré-Carnaval: o risco de buscar o “shape” de última hora sem orientação profissional

Com o Carnaval se aproximando, cresce a pressa para transformar o corpo em tempo recorde. O “projeto Carnaval” aparece nas conversas, nas redes sociais e nas academias,  quase sempre acompanhado de promessas rápidas.

Mas a busca pelo “shape de última hora” pode virar um atalho perigoso quando envolve treinos excessivos, falta de descanso e até uso de medicamentos sem prescrição.

Na prática, esse impulso pode trazer consequências como lesões, exaustão, mal-estar, taquicardia e efeitos adversos graves, principalmente quando não há orientação profissional e nem avaliação prévia.

Inez Oliveira, docente de Educação Física da Estácio, alerta que resultados imediatos raramente vêm com segurança. “Resultados imediatos dificilmente se tornam seguros. Todo protocolo de treinamento ou intervenção precisa ser orientado por profissionais capacitados”, afirma.

Um dos erros mais comuns no pré-Carnaval é aumentar carga e intensidade de forma brusca, especialmente em quem está voltando a treinar ou não tem preparo físico. Segundo a professora, em um corpo “destreinado”, esse excesso costuma terminar em lesão.

“Até o controle da intensidade, carga e volume precisam ser periodizados. Sempre que um indivíduo provoca intensidade demais nos treinamentos sem um protocolo individual, vem a lesão”, reforça. E o resultado pode ser o oposto do esperado: “Aí acaba pausando três semanas, seis semanas, dependendo do que pode ocorrer”.

Ela também chama atenção para o uso indiscriminado de estimulantes e pré-treinos, muitas vezes combinados com cardio intenso e pouca recuperação. “O sujeito nem sabe se pode fazer uso, se tem alguma arritmia cardíaca ou alguma doença no coração. Isso pode gerar gatilhos e até provocar um infarto ou AVC”, alerta.

Canetas emagrecedoras – Além do excesso de treino, cresce a procura por emagrecimento rápido com as chamadas “canetas emagrecedoras”, popularizadas como solução imediata para o “projeto Carnaval”. A professora Patrícia Pacheco, docente de Biomedicina da Estácio e mestre em fisiopatologia endócrina, afirma que a urgência estética tem levado muita gente a usar esses medicamentos sem acompanhamento.

“Com a proximidade do Carnaval, a urgência estética muitas vezes atropela a fisiologia, e é aí que moram os riscos”, diz. Para ela, o problema é tratar como estética algo que exige cuidado. “Essas medicações são ferramentas fantásticas para o tratamento da obesidade e doenças metabólicas, mas devem ser encaradas como um tratamento de saúde a longo prazo, e não como um acessório temporário.”

Segundo Patrícia, o uso sem orientação pode provocar complicações como pancreatite aguda, gastroparesia, hipotensão com desidratação e sarcopenia acelerada — quando o corpo perde massa muscular e força.

“Sem o cálculo correto de proteínas, o corpo ‘devora’ os próprios músculos para obter energia, o que destrói o metabolismo a longo prazo”, alerta.

Entre os sinais de atenção estão dor abdominal intensa, vômitos persistentes, constipação severa, tonturas, taquicardia e confusão mental. E no Carnaval, o risco pode passar despercebido. “A adrenalina da festa mascara muitos sinais. O álcool ‘anestesia’ a dor abdominal inicial, e a pessoa só percebe a gravidade quando o quadro já está crítico”, afirma.

O que dá para fazer  – Não existe milagre: resultados consistentes são construídos com tempo, orientação e planejamento. “Todo e qualquer resultado não é construído em poucas semanas. É um trabalho de meses, de treino individualizado”, diz Inez.

Ela destaca que o profissional de Educação Física é essencial para prescrever o treino com avaliação física, análise postural e metas realistas. “O resultado é longevidade no esporte”, resume.

Já Patrícia explica que, em poucas semanas, é possível melhorar disposição e reduzir inchaço, desde que o foco esteja em hábitos seguros: cortar ultraprocessados e excesso de sódio, aumentar fibras e manter hidratação adequada. “Beber pelo menos 35 ml de água por cada quilo de peso corporal”, recomenda.

No fim, o melhor “projeto Carnaval” é o que não coloca a saúde em risco e permite curtir a festa com energia, segurança e bem-estar.

Fonte: Assessoria

Vacinação em dia garante volta às aulas mais segura para crianças

De acordo com orientações do Programa Nacional de Imunizações (PNI) e da Organização Mundial da Saúde (OMS), a vacinação protege não apenas o indivíduo, mas também a coletividade, contribuindo para a prevenção de surtos em escolas e creches e para a proteção de pessoas mais vulneráveis. Neste período de retorno às aulas, algumas vacinas merecem atenção especial.

Entre elas estão à influenza, importante para a prevenção de infecções respiratórias comuns no ambiente escolar; a tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola; a vacina contra difteria, tétano e coqueluche; as vacinas meningocócicas, que previnem meningites e infecções graves de rápida evolução; a pneumocócica 15 ou 20, indicada para a prevenção de pneumonias e outras infecções; além da vacina contra a dengue, recomendada para crianças e adolescentes dentro da faixa etária indicada, especialmente em um período de maior circulação do vírus.

Com a retomada da rotina escolar, é importante que pais e responsáveis confiram o cartão de vacinação e busquem orientação profissional em caso de dúvidas, especialmente no caso de crianças com condições de saúde específicas. Esse cuidado contribui para um período letivo mais tranquilo e seguro.

A enfermeira Heryka Cavalcante, responsável pelos serviços de imunização do Sabin no Tocantins, reforça que a atualização da caderneta vacinal é uma medida essencial de prevenção. “Quando a criança está com a vacinação em dia, ela se protege e contribui para a proteção de colegas, educadores e familiares”, explica.

Segundo a enfermeira, o atendimento especializado também ajuda a orientar as famílias. “Muitas dúvidas estão relacionadas ao número de doses, aos intervalos entre as vacinas e às possíveis reações. No Sabin, as famílias recebem orientações antes e depois da aplicação, garantindo mais segurança e tranquilidade”, completa.

Para a biomédica e gestora do Sabin no Tocantins, Nayara Borba, a vacinação é fundamental para um retorno seguro às atividades escolares. “A volta às aulas aumenta a circulação de pessoas e, consequentemente, o risco de transmissão de doenças. Manter o cartão de vacinação atualizado é uma forma simples e eficaz de proteger crianças, adolescentes e toda a comunidade escolar”, destaca.

Fonte: Assessoria

Afastamentos por transtornos mentais disparam no Brasil e acendem alerta sobre saúde mental no trabalho

Por trás de planilhas e estatísticas, um problema silencioso vem se tornando cada vez mais visível no Brasil: o adoecimento mental relacionado ao trabalho. Dados recentes analisados pela Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT) mostram que os afastamentos por transtornos mentais cresceram quase 80% em apenas dois anos, entre 2023 e 2025, gerando um custo estimado de R$ 954 milhões em benefícios pagos pelo INSS.

Segundo o levantamento, depressão e transtornos de ansiedade lideram as causas de afastamento, refletindo uma combinação de fatores como sobrecarga laboral, insegurança profissional, jornadas extensas e dificuldade de acesso a cuidados preventivos em saúde mental.

Para o médico residente em Psiquiatria Lucas Pacini, os números escancaram um problema que já vinha sendo observado na prática clínica. “Esses dados não surgem do nada. Eles refletem pessoas que passaram meses — às vezes anos — ignorando sinais claros de esgotamento emocional, acreditando que o sofrimento fazia parte da rotina profissional”, afirma.

Pacini destaca que, em muitos casos, o afastamento ocorre apenas quando o quadro já se tornou incapacitante. “Existe uma cultura de normalização da ansiedade, da insônia e do cansaço extremo. O problema é que o corpo e a mente têm limites. Quando esses limites são ultrapassados de forma contínua, o adoecimento se instala”, explica.

O médico ressalta que transtornos como burnout, depressão e ansiedade não aparecem de forma abrupta. “Eles se constroem aos poucos, em silêncio. A pessoa continua trabalhando, produzindo, cumprindo metas, mas já está funcionando no automático. Quando finalmente busca ajuda, muitas vezes já precisa se afastar”, diz.

Além do impacto financeiro para a Previdência Social, Pacini chama atenção para o custo humano do problema. “Cada afastamento representa alguém que perdeu qualidade de vida, autonomia e, em muitos casos, identidade profissional. A conta não é só econômica — é emocional, familiar e social.”

Para o psiquiatra, os dados reforçam a necessidade de mudar a lógica de cuidado em saúde mental no ambiente de trabalho. “Psiquiatria não deve ser vista como último recurso, quando tudo já desmoronou. Ela também é prevenção. Identificar sinais precoces e intervir antes do colapso reduz afastamentos, recaídas e sofrimento”, afirma.

Pacini defende que empresas e trabalhadores precisam abandonar a ideia de que buscar ajuda é sinal de fraqueza. “Cuidar da saúde mental é uma estratégia de sustentabilidade humana. Nenhuma produtividade se sustenta à custa do adoecimento”, conclui.

Especialistas apontam que ampliar o acesso a acompanhamento psicológico e psiquiátrico, promover ambientes de trabalho mais saudáveis e combater o estigma em torno dos transtornos mentais são passos essenciais para frear a escalada dos afastamentos. Caso contrário, os números tendem a continuar crescendo — com impactos cada vez mais profundos para o país.

Fonte: Assessoria

Agência alerta para pancreatite aguda e mortes após canetas emagrecedoras

Pessoas que usam canetas emagrecedoras, como Mounjaro ou Wegovy, devem estar cientes da possibilidade rara, mas real, de desenvolver pancreatite aguda, segundo um alerta publicado pela Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde (MHRA) do Reino Unido.

A MHRA, que é similar à Anvisa no Brasil, recebeu 1.296 notificações da condição associada aos medicamentos entre 2007 e outubro de 2025 no país.

Os registros incluem 19 mortes e 24 casos de pancreatite necrosante, forma em que há morte de tecido pancreático.

Mais de 25 milhões de embalagens de medicamentos GLP-1 foram distribuídas no Reino Unido nos últimos cinco anos, segundo a agência.

Conhecidas por marcas como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, esses medicamentos injetáveis imitam um hormônio liberado após a alimentação, chamado GLP-1, que ajuda a controlar o apetite e prolonga a sensação de saciedade. O Mounjaro ainda atua em outro hormônio, o GIP.

“Embora a frequência geral permaneça incomum, a experiência pós-comercialização demonstrou que alguns relatos raros de pancreatite aguda foram particularmente graves, incluindo pancreatite necrosante e fatal”, diz o alerta publicado pela MHRA.

Ainda de acordo com a agência, os sintomas de pancreatite a serem observados incluem dor extrema no estômago e nas costas que não desaparece. A agência aconselha os usuários do medicamento a consultarem um médico imediatamente caso apresentem essas manifestações.

As informações relacionadas aos possíveis riscos do produto para profissionais de saúde e pacientes foram atualizadas.

Estima-se que 1,6 milhão de adultos na Inglaterra, País de Gales e Escócia tenham usado medicamentos como Wegovy e Mounjaro no último ano.
Alison Cave, diretora de segurança da MHRA, afirmou que a segurança do paciente é uma prioridade máxima.

“Para a grande maioria dos pacientes que recebem prescrição de GLP-1, esses medicamentos são seguros e eficazes, proporcionando benefícios significativos para a saúde”, disse ela.

“O risco de desenvolver esses efeitos colaterais graves é muito pequeno, mas é importante que pacientes e profissionais de saúde estejam cientes e atentos aos sintomas associados.”

O pâncreas é um pequeno órgão, localizado atrás do estômago, que auxilia na digestão.

A maioria das pessoas diagnosticada com pancreatite aguda começa a se sentir melhor em cerca de uma semana e não apresenta mais problemas. Mas algumas pessoas com pancreatite aguda grave podem desenvolver complicações sérias.

Os medicamentos GLP-1 devem ser usados apenas com orientação médica.
O MHRA aconselha sempre discutir com o profissional os benefícios e riscos dos medicamentos antes de começar a tomá-los ou antes de fazer qualquer alteração no tratamento, como trocar para uma marca diferente de caneta.

Fonte: Portal G1

 

MS registrou mais de 8 mil casos de dengue em 2025, aponta Ministério da Saúde

O calor, a alta umidade e os dias chuvosos são ideais para a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue e outras doenças.

De acordo com o painel de atualização de Casos de Arboviroses, do Ministério da Saúde, em 2025, apenas em Mato Grosso do Sul, foram 8.443 mil casos confirmados de dengue, com 20 óbitos.

As reações no organismo podem causar dúvidas, e por isso é tão importante distingui-las o mais rápido possível. A mestre e coordenadora do curso de enfermagem do Centro Universitário Anhanguera, Sandra Demétrio Lara, diz que a febre é o principal motivo da ‘confusão’, pois ela é comum também em outras doenças, como a Covid-19.

“É crucial instruir a comunidade sobre a dengue para incentivá-la a buscar cuidados médicos ao reconhecer os sinais, assegurando, desse modo, o diagnóstico e tratamento adequados da enfermidade. A dengue pode manifestar-se com sintomas como elevação da temperatura corporal, desconfortos musculares, cefaleia, erupções na pele e cansaço”, afirma.

Ainda de acordo com a docente, a população precisa aproveitar que postos de vacinação foram espalhados pelas autoridades. “Temos condições de nos prevenir e diminuir os riscos de uma infecção se tornar grave, caso a vacina tenha sido aplicada. A dengue é uma doença que requer muita atenção e precisamos tomar todas as medias possíveis para combatê-la”.

Por fim, a especialista listou algumas dicas sobre como é possível agir para manter os cuidados e evitar a proliferação da doença. Confira:

1 . Mantenha a limpeza: mantenha sua casa e quintal limpos e livres de lixo, entulho e objetos em desuso que possam acumular água;
2. Cubra recipientes de água: se você tiver tanques de água, caixas d’água ou cisternas, certifique-se de que estejam devidamente tampados para evitar a entrada de mosquitos;
3. Elimine locais de reprodução: o mosquito deposita seus ovos em água parada. Portanto, é essencial eliminar todos os recipientes que possam acumular água em sua casa e arredores, como vasos de plantas, pneus velhos, garrafas vazias, latas e recipientes de plástico;
4. Limpe ralos e calhas: certifique-se de que ralos e calhas estejam limpos e desobstruídos para que a água possa escoar livremente;
5. Elimine criadouros comunitários: participe de esforços de limpeza e educação em sua comunidade para eliminar criadouros de mosquitos Aedes em áreas públicas;
6. Esteja ciente dos sintomas: fique atento aos sintomas de doenças transmitidas pelo Aedes, como febre alta, dor no corpo, manchas vermelhas na pele, dores nas articulações e olhos vermelhos. Procure atendimento médico se apresentar esses sintomas;
7. Use repelente: ao sair de casa, especialmente em áreas onde o mosquito pode habitar, aplique repelente de insetos na pele exposta. Certifique-se de seguir as instruções do rótulo;
8. Use roupas adequadas: vista roupas de manga longa e calças compridas quando possível, para reduzir a exposição da pele aos mosquitos;
9. Instale telas em janelas e portas: use telas em suas janelas e portas para impedir que os mosquitos entrem em sua casa;
10. Evite horários de pico: o mosquito é mais ativo durante o amanhecer e o entardecer. Tente evitar atividades ao ar livre durante esses horários, se possível.
 

Fonte: Assessoria

Anvisa libera novo medicamento contra o Alzheimer

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou um novo tratamento para a doença de Alzheimer no país. O medicamento Leqembi é capaz de desacelerar a destruição do cérebro causada pela doença e representa um passo importante no tratamento do Alzheimer.

A doença de Alzheimer (DA) é a principal causa de demência neurodegenerativa no mundo. No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, mais de um milhão de pessoas convivem com a doença.

Até hoje, não havia tratamento direcionado à doença em si, apenas às suas consequências. A liberação aconteceu no dia 22 de dezembro de 2025.
O que é esse novo medicamento e como ele age

Produzido com o anticorpo lecanemabe, o Leqembi é indicado para pessoas que já apresentam demência leve causada pelo Alzheimer.

Esse anticorpo — semelhante aos que o próprio corpo produz para atacar vírus ou bactérias — foi projetado para acionar o sistema imunológico e promover a limpeza da amiloide no cérebro.

Na prática, ele atua contra a substância pegajosa que se acumula no cérebro de pessoas com Alzheimer, chamada beta-amiloide. O acúmulo dessas placas é uma das características definidoras da doença.

O medicamento é administrado por infusão e é recomendado para pacientes nos estágios iniciais do Alzheimer.

O ESTUDO 

A eficácia do medicamento foi demonstrada em um estudo publicado em 2022 na New England Journal of Medicine, uma das revistas científicas mais importantes do mundo.

O estudo em larga escala envolveu 1.795 voluntários com Alzheimer em estágio inicial. As infusões de lecanemabe foram administradas a cada duas semanas.

Após 18 meses de tratamento, o lecanemabe reduziu o declínio cognitivo-funcional dos pacientes, indicando uma progressão mais lenta da doença.

Desde 2023, o medicamento já é aprovado pela agência reguladora dos Estados Unidos, a FDA, e comercializado no país. Agora, passa a estar disponível também no Brasil.

Da ausência de tratamentos às novas terapias que tentam frear o Alzheimer

Nos últimos anos, surgiram poucas opções terapêuticas realmente novas capazes de interferir no desenvolvimento e na progressão da Doença de Alzheimer.

Até a década de 1970, sabia-se basicamente que o envelhecimento e a doença estavam associados à atrofia cerebral e ao acúmulo de duas proteínas anormais: a tau, que se deposita dentro dos neurônios, e a β-amiloide, que se acumula fora deles.

O tratamento, naquela época, era essencialmente de suporte, incluindo mudanças de hábitos, vitaminas, vasodilatadores e estimulantes da memória, sem eficácia comprovada.

Ao longo dos anos, pesquisadores foram descobrindo a causa raiz da doença e, com isso, conseguindo trazer respostas àqueles que pesquisavam soluções para a doença, abrindo portas para tratamentos, como esse.
“Isso representa uma nova linha de pesquisa e uma porta que se abre de oportunidade para intervir na evolução da doença”, explica Helder Picarelli, neurocirurgião do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.

Apesar de considerar promissor, o médico explica que ainda é preciso alguns passos antes de considerar esse um sucesso definitivo para a doença.

“Esse tipo de terapia é usando um anticorpo específico, ele tem modificado o tratamento, mas ainda é ainda é novo. Acho que a gente precisa aguardar um pouquinho mais para a gente ter uma conclusão definitiva. Eu não sei se o custo que é elevado e o risco compensa o benefício obtido pelo uso desse tipo de medicação”, explica.

Fonte: Portal G1

Dezembro Laranja reforça alerta para o câncer de pele, o mais comum no Brasil

Dezembro Laranja marca a campanha nacional de conscientização sobre o câncer de pele — o tipo mais frequente no Brasil e responsável por cerca de 30% de todos os tumores malignos diagnosticados no país, segundo o INCA (Instituto Nacional do Câncer).

A doença ocorre quando células da pele passam a se multiplicar de forma descontrolada e se apresenta em duas categorias: melanoma, o tipo mais agressivo, mais comum em adultos brancos e com maior risco de metástase; e o não melanoma, mais frequente no Brasil, possui alta taxa de cura quando identificado precocemente, mas pode causar mutilações se não tratado adequadamente.

As estimativas do INCA apontam para 220 mil novos casos anuais de câncer de pele não melanoma e 9 mil de melanoma, reforçando a importância da prevenção contínua.

A biomédica esteta, Luciana Carletto, destaca que a principal causa do câncer de pele é a exposição excessiva e desprotegida aos raios ultravioletas (UV), seja do sol ou de câmaras de bronzeamento artificial. Entre os sinais de alerta estão manchas ou pintas que mudam de cor, aumentam de tamanho rapidamente, coçam, sangram ou não cicatrizam — sintomas que exigem avaliação médica imediata.

A profissional explica que durante o verão, a radiação solar atinge níveis ainda mais elevados e pode ultrapassar limites perigosos mesmo em dias nublados. Por isso, o uso diário de protetor solar FPS 30 ou superior é indispensável, com reaplicação a cada duas ou três horas, especialmente após entrar na água ou transpirar. Chapéus, óculos escuros e roupas com proteção UV reforçam essa barreira de segurança.

“É importante lembrar: tomar sol faz bem, mas com responsabilidade. A exposição deve ser evitada entre 10h e 16h, período de maior intensidade da radiação UV. E a autoproteção inclui também observar regularmente as pintas e manchas do corpo, buscando atendimento médico ao notar qualquer alteração. Quando o assunto é câncer de pele, a prevenção é sempre o melhor tratamento”, avalia a professora.

Fonte: Assessoria

Nutricionista faz alerta ao auso indiscriminado de canetas emagrecedoras; Sarcopenia

Giovana Colletti  (*) 

A sarcopenia é definida como a perda progressiva de massa magra esquelética associada à diminuição da força e do desempenho físico, tradicionalmente vinculada ao envelhecimento, ela representa um marcador importante de fragilidade, comprometimento metabólico e vulnerabilidade funcional.

A partir de 2019, com a consolidação do consenso europeu (EWGSOP2), a definição científica passou a enfatizar não apenas a quantidade de massa muscular, mas também sua qualidade e capacidade de gerar força.

Assim, a sarcopenia deixou de ser considerada apenas uma desordem própria da terceira idade e passou a ser entendida como um processo multifatorial, potencializado por condições clínicas, deficiências nutricionais, sedentarismo e perdas acentuadas de peso.

No contexto do emagrecimento medicamentoso acelerado, os indicadores associados à sarcopenia começam a se manifestar em indivíduos que não apresentam histórico de fragilidade, isso ocorre porque os agonistas de GLP-1 reduzem o apetite de forma expressiva levando a uma ingestão calórica muito inferior ao habitual.

Ao encontrar uma população que já consome proteínas abaixo do recomendado, essa redução adicional intensifica o risco de balanço nitrogenado negativo, reduzindo a capacidade do organismo de manter síntese proteica adequada.

O corpo, submetido a um déficit energético abrupto, tende a priorizar a utilização de aminoácidos provenientes da musculatura esquelética para suprir necessidades metabólicas imediatas, gerando catabolismo muscular.

Estudos clínicos observacionais e controlados vem demonstrando que uma proporção relevante da perda de peso promovida por semaglutida e tirzepatida ocorre às custas de massa magra.

Ensaios publicados entre 2021 e 2024 indicam que entre 25% e 40% da perda total pode corresponder a tecido muscular, especialmente quando o indivíduo não está engajado em práticas regulares de treinamento resistido.

Embora seja verdade que qualquer processo de emagrecimento induz certa perda muscular, o que se observa nesses casos é uma magnitude desproporcional que é resultado direto da combinação entre ingestão proteica insuficiente, redução espontânea da fome e ausência de estímulo mecânico.

A perda muscular produz efeitos sistêmicos importantes. A redução da massa magra diminui a taxa metabólica basal, tornando o corpo mais propenso ao reganho de peso após a suspensão do medicamento.

O músculo esquelético desempenha papel central na captação de glicose estimulada por insulina; portanto, sua diminuição reduz a sensibilidade tecidual e favorece a instalação de distúrbios metabólicos.

Ademais, a perda de força e de funcionalidade afeta mobilidade, estabilidade postural e capacidade de realizar atividades diárias, abrindo espaço para um cenário de fragilidade precoce, antes raro em adultos jovens.

RECOMPOSIÇÃO ADVERSA

Outro ponto crítico refere-se ao fenômeno conhecido como “recomposição adversa”, acontece que quando a medicação é interrompida o peso corporal geralmente retorna, mas de forma predominante como gordura e não como massa muscular. Isso cria uma condição metabólica mais perigosa do que aquela existente antes do tratamento, pois a relação entre massa magra e gordura corporal se torna ainda mais desfavorável.

Esse padrão já é reconhecido como um dos gatilhos para o desenvolvimento de obesidade sarcopênica, condição em que coexistem perda muscular e acúmulo de tecido adiposo, com impactos significativos sobre risco cardiovascular, resistência insulínica e inflamação crônica.

Sob a perspectiva nutricional, esses achados reforçam a necessidade de que nenhum tratamento farmacológico para emagrecimento ocorra de forma isolada. A preservação da massa muscular depende de ingestão proteica adequada, estímulo consistente e planejamento alimentar que evite déficits extremos.

No consultório, é comum observar que indivíduos que utilizam canetas emagrecedoras deixam de sentir fome ao ponto de negligenciar refeições inteiras, reduzindo tanto calorias quanto micronutrientes essenciais para síntese proteica, metabolismo energético e manutenção da saúde óssea. O músculo, nesse contexto bioquímico desfavorável, torna-se um dos primeiros tecidos a sofrer desgaste.

A atuação profissional se torna decisiva. A abordagem nutricional deve garantir que o paciente atinja aporte proteico mínimo compatível com a preservação muscular e, quando necessário, suplementação pode ser empregada como estratégia adicional.

O acompanhamento da avaliação da composição corporal é fundamental para diferenciar perda de gordura de perda de massa magra, orientando ajustes no plano alimentar, a integração com profissionais de educação física também se torna essencial, já que o treinamento resistido é a intervenção mais eficaz para sinalizar ao músculo que ele deve ser mantido, mesmo em condições de déficit energético.

Assim, o uso de agonistas de GLP-1 não deve ser demonizado, mas precisa ser compreendido dentro de seu escopo clínico correto. Quando utilizado com acompanhamento multiprofissional e planejamento nutricional rigoroso, o medicamento pode auxiliar na melhora da saúde metabólica.

No entanto, quando empregado de forma indiscriminada, com fins puramente estéticos e sem suporte técnico, abre espaço para uma série de consequências que contradizem a própria intenção do tratamento: o indivíduo perde peso, mas perde saúde no processo.

(*) Nutricionista – – Pós-graduada em Nutrição Estética, Esportiva e Saúde da Mulher

Criança cansada e sem apetite? Pode ser sinal de infecção intestinal

Crianças costumam ter oscilações naturais no apetite e no nível de energia, mas quando o cansaço é persistente, acompanhado de falta de interesse por comida ou irritabilidade sem motivo aparente, os pais devem acender um alerta. Esses sinais, frequentemente atribuídos ao “calor”, ao “cansaço da escola” ou a “fases”, podem indicar uma infecção intestinal, especialmente quando não há febre alta ou dor abdominal intensa.

Segundo o Dr. Carlos Alberto Reyes Medina, Diretor Médico da Carnot Laboratórios, infecções gastrointestinais em crianças podem se manifestar de forma atípica. “Diferente dos adultos, as crianças nem sempre conseguem expressar onde dói ou o que estão sentindo. Muitas vezes, o primeiro sinal é justamente a queda de energia, a perda de apetite e o desinteresse pelas atividades diárias. Esses sintomas podem indicar um quadro de infecção por vírus, bactérias ou parasitas”, explica.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que as infecções intestinais estão entre as causas mais comuns de adoecimento infantil no mundo. Estima-se que crianças menores de cinco anos representem mais de 40% dos casos globais de gastroenterite, e que a maioria das infecções ocorre por contaminação alimentar ou água não tratada. No Brasil, estudos indicam que quadros como giardíase e amebíase são especialmente prevalentes em crianças em idade escolar, justamente pela maior exposição em ambientes coletivos.

Essas infecções podem provocar sintomas discretos, como distensão abdominal leve, episódios esporádicos de diarreia, fezes pastosas, náuseas, além do famoso “mau humor matinal”. Para o Dr. Carlos, o grande problema é que quadros leves podem se arrastar por semanas quando não tratados adequadamente. “A criança fica prostrada, come pouco, perde peso e tem dificuldade de se concentrar na escola. Isso impacta diretamente o desenvolvimento e a disposição”, destaca.

A automedicação, segundo o especialista, é um risco importante. Antidiarreicos, chás caseiros, analgésicos e até antibióticos usados sem prescrição podem mascarar sintomas e piorar a infecção. “Cada tipo de infecção, viral, bacteriana ou parasitária, requer uma abordagem específica. Só o profissional de saúde, por meio da avaliação clínica e, quando necessário, de exames laboratoriais, pode indicar o tratamento correto”, reforça o Dr. Carlos.

Para prevenir quadros de infecção intestinal em crianças, o médico recomenda atenção redobrada com a higiene dos alimentos, hidratação constante e cuidados no ambiente escolar. “Lavar bem as mãos antes das refeições, higienizar frutas e verduras, beber água filtrada e orientar a criança a não compartilhar talheres ou garrafinhas são medidas simples que reduzem significativamente o risco de contaminação”, afirma.

O Dr. Carlos destaca ainda que sinais como irritabilidade, sono excessivo, falta de apetite, dores de barriga recorrentes ou alteração no padrão das fezes merecem avaliação médica. “Nem toda infecção intestinal chega com sintomas intensos. Muitas começam com pequenos sinais que os pais só percebem porque conhecem bem o comportamento da criança”, complementa.

Quando o diagnóstico é feito no início, o tratamento costuma ser rápido, eficaz e evita complicações como desidratação e perda de nutrientes importantes. “O mais importante é não normalizar sintomas persistentes. O corpo sempre avisa quando algo não vai bem, e, no caso das crianças, os sinais costumam estar no comportamento”, finaliza.

Fonte: Assessoria

Com 10,7 mil doses, Mato Grosso do Sul começará a vacinação contra bronquiolite

A SES (Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul) recebe nesta quarta-feira (3), um total de 10.755 doses enviadas pelo Ministério da Saúde da vacina contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), principal agente causador da bronquiolite em recém-nascidos e lactentes.

A chegada dessas doses marca o início da oferta do imunizante pelo SUS (Sistema Único de Saúde) em Mato Grosso do Sul, conforme anunciado previamente pela SES. As vacinas serão imediatamente conferidas e armazenadas. Os municípios deverão realizar a retirada das doses diretamente na Rede de Frio estadual, conforme cronograma previamente pactuado.

Foco na Proteção dos Bebês

O imunizante é destinado a gestantes a partir da 28ª semana. A vacinação durante a gravidez é uma estratégia essencial, pois permite a transferência de anticorpos para o bebê pela placenta, garantindo a proteção do recém-nascido desde o nascimento.

É justamente neste período que a criança está mais vulnerável a infecções respiratórias, sendo o VSR responsável por 60% das pneumonias em menores de 2 anos.

O gerente de Imunização da SES, Frederico Moraes, destaca o impacto dessa nova campanha.

“Esta vacina é um marco na saúde pública, pois nos permite intervir na proteção do bebê antes mesmo do nascimento. Estruturamos toda a rede e capacitamos os 79 municípios para garantir que o imunizante chegue de forma rápida e segura. É fundamental que as gestantes a partir da 28ª semana procurem a unidade de saúde, pois essa dose será determinante para reduzir internações, evitar complicações graves e salvar vidas de nossos recém-nascidos contra a bronquiolite”, explica.

Logística e Distribuição Imediata no Estado

Para garantir a implantação segura e eficiente da vacinação, a SES concluiu o treinamento das equipes, alinhou fluxos com os municípios e organizou a rede de atendimento nas UBS (Unidades Básicas de Saúde).

As equipes receberam orientações sobre o acolhimento das gestantes, a conferência da idade gestacional, a organização das salas de vacina, o registro adequado das doses e a priorização do atendimento no pré-natal. Os procedimentos de triagem e aplicação também foram padronizados para assegurar uniformidade e qualidade em todo o Estado.

Com a chegada da remessa nesta quarta-feira (3), a distribuição para os 79 municípios do estado será iniciada a partir de quinta-feira (4), seguindo um fluxo descentralizado:

Logística descentralizada: os municípios de Mato Grosso do Sul já estão orientados a retirar as doses na Central Estadual de Armazenamento e Distribuição (CEAD) da SES, em Campo Grande. Eles são responsáveis por buscar a vacina para garantir a rapidez na distribuição.

Preparação da Rede: as equipes municipais de imunização concluíram o treinamento e receberam as orientações oficiais do informe técnico, garantindo o início da campanha de forma padronizada em todo o Estado.

Capacitação Abrangente: a capacitação cobriu a verificação da idade gestacional a partir de 28 semanas, a organização das salas de vacinação, o registro adequado das doses e a priorização do atendimento no pré-natal.

Distribuição da 1ª Remessa: esta primeira remessa destinará todas as 755 doses aos municípios, com base no público-alvo de gestantes a partir de 28 semanas.

Fonte: Portal MS

Benefícios à saúde se perdem após suspensão do Mounjaro

Pacientes que interrompem o uso do Mounjaro – medicamento injetável usado contra a diabetes de tipo 2 e que se popularizou por sua eficácia na perda de peso – e voltam a engordar perdem benefícios à saúde conquistados com o tratamento, revela um novo estudo publicado nesta segunda-feira (24).

A pesquisa – que contou com a participação de especialistas da farmacêutica dona do Mounjaro, a Eli Lilly –, realizada com 308 pessoas, constatou que aqueles que recuperaram 25% ou mais do peso perdido após 36 semanas de tratamento perderam também os benefícios à saúde inicialmente conquistados, como redução da circunferência da cintura, melhora na pressão sanguínea e nos índices glicêmicos e de colesterol, bem como de resistência à insulina.

A regressão no quadro clínico dos pacientes foi pior quanto mais quilos eles recuperaram do antigo peso. Dentre os 308 pacientes que participaram do estudo, 77 recuperaram de 25% a 50% do peso perdido após 52 semanas sem usar o Mounjaro; em 103, o ganho foi de 50% a 75%; em 74, acima de 75%.

Neste último grupo, dos que retomaram mais de 75% do peso antigo, os parâmetros cardiometabólicos voltaram ao mesmo ponto do início do tratamento.

Mudança de estilo de vida é importante

O princípio ativo do Mounjaro, a tirzepatida, pode ajudar pessoas a perder em média 20% de seu peso corporal em 72 semanas de tratamento – mais que outros tratamentos similares disponíveis, como Wegovy e Ozempic .

Porém, outras pesquisas já constataram que o peso perdido geralmente tende a ser recuperado passados alguns meses após a suspensão do medicamento – a um ritmo muito mais acelerado do que no caso de pessoas que emagrecem apenas com dietas, exercícios e mudanças no estilo de vida.

Os autores do estudo publicado nesta segunda-feira afirmam que as conclusões “reforçam a importância da manutenção da redução do peso a longo prazo através de intervenções no estilo de vida e medicamentos para gerenciamento da obesidade, de modo a manter os benefícios cardiometabólicos e uma melhor qualidade de vida”.

Ao jornal britânico The Guardian, Jane Ogden, professor emérito da escola de ciências da saúde da Universidade de Surrey, ressaltou que o uso de medicamentos injetáveis para perda de peso nem sempre vem acompanhado de mudanças no estilo de vida e na dieta.

Segundo ela, a manutenção de velhos hábitos prejudiciais à saúde pode levar ao ganho de peso e, consequentemente, à reversão de benefícios cardíacos.

Outro estudo publicado recentemente na revista Nature aponta que o uso da tirzepatida consegue acalmar o desejo incessante por comida, mas só temporariamente.

Fonte: Portal IG

Nutrição: Uma nova perspectiva sobre a saúde da mulher, por Giovana Colletti

Giovana Colletti (*)

O período menstrual ainda é envolto em silêncio e mitos, como se o corpo feminino fosse um sistema misterioso que a sociedade insiste em não decifrar. Esse tabu empobrece o cuidado em saúde e invisibiliza o fato básico de que a menstruação é um marcador clínico de primeira ordem, capaz de refletir desequilíbrios hormonais, estado nutricional, inflamação sistêmica e até riscos metabólicos futuros. Reduzir o ciclo a uma mera “questão feminina” é ignorar um relatório mensal extremamente detalhado que o organismo entrega sem cobrar consulta.

Do ponto de vista fisiológico, as variações entre estrogênio, progesterona e hormônios gonadotróficos modulam praticamente todo o funcionamento do corpo: apetite, humor, sono, termorregulação, sensibilidade à insulina, disposição e resposta inflamatória.

E é justamente aqui que a nutrição deixa de ser coadjuvante para assumir papel central, pois a alimentação não só influencia a intensidade dos sintomas, mas também interfere na regularidade, no volume menstrual, na saúde ovariana e na estabilidade emocional durante o ciclo.

Evidências recentes publicadas no Journal of Women’s Health e no American Journal of Clinical Nutrition mostram que padrões alimentares anti-inflamatórios reduzem significativamente sintomas como cólicas, cefaleias, fadiga, irritabilidade e alterações gastrointestinais, mas em contrapartida, dietas ricas em ultraprocessados, açúcar refinado e gorduras hidrogenadas intensificam a produção de prostaglandinas inflamatórias, que são diretamente responsáveis pelas dores menstruais mais severas.

Além da carga inflamatória, as deficiências nutricionais são um ponto crítico frequentemente negligenciado. A baixa ingestão de ferro, por exemplo, contribui para ciclos mais intensos, maior fadiga e menor capacidade de oxigenação tecidual; já a insuficiência de magnésio, vitamina D e cálcio está associada ao agravamento da tensão pré-menstrual e ao aumento da sensibilidade à dor.

A literatura é consistente ao apontar que mulheres com maior consumo de ômega-3 apresentam redução expressiva na intensidade das cólicas, justamente pela modulação positiva do metabolismo das prostaglandinas. Não se trata de milagre, é fisiologia pura. O corpo responde ao ambiente, e o alimento é a variável mais frequente desse ambiente.

Outro ponto crucial é a influência do ciclo sobre a resposta metabólica. Durante a fase lútea, há maior resistência à insulina e maior propensão a buscar carboidratos simples, ignorar essa oscilação abre espaço para culpa e para a narrativa ultrapassada de “falta de disciplina”.

Uma abordagem nutricional competente acolhe essa variação e propõe estratégias inteligentes, como incluir fontes de carboidratos complexos, priorizar fibras solúveis, aumentar proteínas de alta qualidade e ajustar o fracionamento para mitigar picos glicêmicos.

Da mesma forma, sintomas como constipação, diarreia e distensão abdominal durante a menstruação têm relação direta com o eixo intestino-hormônios e respondem rapidamente a intervenções alimentares adequadas, especialmente ao aumento de fibras, prebióticos naturais e hidratação eficiente.

A saúde intestinal é um pilar negligenciado no cuidado menstrual, visto que o intestino é responsável não apenas por absorver micronutrientes essenciais ao equilíbrio hormonal, mas também pela metabolização de estrogênio através do eixo estroboloma. Uma microbiota desequilibrada pode aumentar a recirculação de estrogênio e intensificar sintomas ligados à dominância estrogênica, como cólicas, inchaço, dores mamárias e irritabilidade.

Alimentação pobre em fibras e rica em aditivos compromete essa dinâmica, enquanto hábitos simples, como incluir frutas, verduras, leguminosas e alimentos fermentados, ajudam a modular positivamente o estroboloma (conjunto de bactérias no intestino que metabolizam o estrogênio e influenciam diretamente o equilíbrio hormonal) e consequentemente o ciclo menstrual como um todo.

Também é impossível discutir a menstruação sem abordar a relação entre dieta, inflamação crônica de baixo grau e condições ginecológicas como síndrome dos ovários policísticos e endometriose. Ambas apresentam forte componente inflamatório e respondem de maneira consistente a padrões alimentares que priorizam antioxidantes, fitoquímicos e gorduras de qualidade.

Para mulheres com SOP, por exemplo, intervenções nutricionais que melhoram a sensibilidade à insulina têm impacto direto na regularidade do ciclo, na ovulação e no equilíbrio hormonal; já a endometriose se beneficia de uma dieta que reduz substâncias pró-inflamatórias e favorece alimentos ricos em polifenóis e ômega-3, o que pode diminuir dores e melhorar a qualidade de vida.

Falar de menstruação com profundidade e base científica não é ativismo; é obrigação ética. O ciclo é um marcador sensível e multifacetado, capaz de denunciar muito antes qualquer alteração que comprometa a saúde global da mulher. Profissionais que tratam o período menstrual como detalhe ou fragilidade emocional contribuem para um atraso diagnóstico que afeta fertilidade, performance cognitiva, saúde mental e autonomia econômica.

A nutrição, quando utilizada de forma estratégica, tem a capacidade de não apenas reduzir sintomas, mas de fortalecer a relação da mulher com o próprio corpo, oferecendo autonomia, previsibilidade e bem-estar.

No fim das contas, a menstruação não é apenas um evento fisiológico mensal, é um relato completo de como o organismo está reagindo ao estilo de vida, à alimentação, ao estresse, ao ambiente e às escolhas acumuladas ao longo do tempo.

Quando a mulher compreende o próprio ciclo, ela compreende parte fundamental de sua saúde e quando a nutrição é reconhecida como ferramenta central nesse processo, o cuidado feminino finalmente se aproxima da dignidade e da precisão que sempre mereceu.

(*) Nuticionista  – Pós-graduada em Nutrição Estética, Esportiva e Saúde da Mulher