“Nenhuma mulher deve morrer por dizer não.” Foi com essa mensagem que a deputada estadual Lia Nogueira (PSDB) reforçou, em Fátima do Sul, a importância de ampliar a rede de proteção às mulheres vítimas de violência.
A fala ocorreu durante o lançamento da Sala Lilás, espaço criado para acolher vítimas com mais privacidade, escuta e encaminhamento dentro da rede de atendimento do município.
A Sala Lilás oferece um ambiente reservado para o primeiro atendimento, justamente quando a mulher precisa falar sobre o que viveu, muitas vezes ainda tentando vencer o medo, a vergonha e a culpa que acompanham tantas situações de violência.
Em vez de relatar essa dor em um espaço comum, ela passa a contar com um local preparado para ouvir, orientar e encaminhar com mais cuidado.
Para Lia Nogueira, a entrega representa um avanço para Fátima do Sul e reforça a importância de uma rede cada vez mais preparada para acolher a vítima no momento em que ela decide pedir ajuda.
A deputada também destacou que essa proteção precisa avançar em outras frentes, entre elas a ampliação do atendimento especializado 24 horas para mulheres nas principais cidades do interior.
A parlamentar lembrou que lutou pelo atendimento em regime permanente na DAM, Delegacia de Atendimento à Mulher de Dourados, e defende que o modelo deve avançar para outros municípios estratégicos de Mato Grosso do Sul.
Segundo Lia Nogueira, a violência contra a mulher não escolhe horário, por isso o Estado precisa garantir resposta também à noite, nos fins de semana e feriados.
“Assim como batalhamos pelo atendimento 24 horas em Dourados, estamos batalhando por outras cidades. Não estamos falando de custo, mas de investimento na vida, de salvar mulheres”, afirmou Lia Nogueira.
Essa resposta, defendida por Lia Nogueira, começa no acolhimento feito no município. Para Paula Beatriz Nunes da Costa, coordenadora municipal do CRAM (Centro de Referência e Atendimento à Mulher) a Sala Lilás ajuda a vítima a encontrar segurança em uma situação delicada. “É um momento tão difícil e não precisa ser enfrentado sozinha”, afirmou. Segundo Paula, o espaço permite que a mulher “se sinta segura para falar sobre o que está vivendo.”
A partir desse acolhimento, a vítima pode ser encaminhada para apoio psicológico, orientação social, acompanhamento pelo CRAM, atendimento na saúde, suporte jurídico e órgãos de segurança pública, conforme a necessidade de cada caso. O objetivo, segundo Paula, é “construir junto com ela um plano de enfrentamento à violência.”
O delegado Cristiano André Hein, titular da Primeira Delegacia de Polícia de Fátima do Sul, também reforçou a importância de um atendimento que preserve a vítima. “A diferença está principalmente na privacidade, numa escuta mais qualificada e no cuidado para que a mulher não se sinta exposta, julgada ou obrigada a reviver a violência.”
Conforme Cristiano, a forma como a mulher é recebida pode fazer diferença no caminho que ela decide seguir. “Muitas chegam com medo, vergonha e culpa. Um atendimento frio pode fazer com que ela desista. Um atendimento humanizado pode ser decisivo para que ela confie na polícia e siga com a denúncia.”
Os dados mostram a urgência dessa rede. Em 2025, Mato Grosso do Sul registrou 39 feminicídios e mais de 21,9 mil ocorrências de violência doméstica. Neste ano, já são 12 feminicídios e mais de 9 mil registros de violência doméstica no Estado.
Para Lia Nogueira, cada caso mostra que a proteção precisa chegar antes do pior desfecho. “Quando uma mulher é assassinada pelo fato de ser mulher, significa que, por mais que Estado e sociedade tenham avançado, ainda estamos falhando”, afirmou.
Fonte: Assessoria
