“De que forma nós estamos criando nossos filhos?” A pergunta feita pela deputada estadual Lia Nogueira (PSDB) durante entrevista ao programa Tribuna Livre, da Capital 95 FM, nesta quarta-feira (12), levou o debate do Agosto Lilás para dentro de casa. Ao falar sobre os caminhos para enfrentar a violência contra a mulher, a parlamentar chamou atenção para a formação dos meninos e para uma prevenção que precisa começar antes que a agressão aconteça.
“Você está fazendo a reflexão, o questionamento de que o seu filho possa se tornar um futuro agressor? Nós precisamos trazer isso pra dentro de casa”, afirmou.
Para Lia Nogueira, essa formação também passa pela escola. A deputada destacou as ações de conscientização já desenvolvidas na rede pública e defendeu que esse trabalho alcance também as instituições privadas.
“Nós sabemos que nas escolas públicas hoje já existe todo um programa de combate à violência contra as mulheres, de conscientização, e isso tem que chegar na escola privada também”, disse.
A defesa feita durante a entrevista já foi levada pela deputada ao Parlamento. O Projeto de Lei 43/2026, de sua autoria, propõe estender às instituições privadas de ensino as ações, programas e campanhas de educação e conscientização para prevenção e enfrentamento à violência contra a mulher desenvolvidas no Estado.
A proposta se soma ao PROTEGE MS, programa estadual que reúne ações de prevenção, proteção, acolhimento e autonomia das mulheres. Entre as iniciativas estão atividades educativas desenvolvidas com estudantes da rede estadual para conscientização e prevenção à violência.
Quando a violência já aconteceu, Lia Nogueira defende que a mulher encontre proteção no momento em que decide pedir ajuda. Em Dourados, após sucessivas solicitações da parlamentar ao Governo do Estado, o atendimento especializado à mulher passou a funcionar 24 horas em espaço exclusivo na Depac.
A deputada também apresentou o Projeto de Lei 2/2026, que institui a Política Estadual de Ronda Maria da Penha, de forma complementar nos municípios que ainda não possuem estrutura própria.
Sair da violência, no entanto, não depende ap
enas de proteção policial. Durante a entrevista, a deputada chamou atenção para a dependência financeira, uma das dificuldades que podem manter mulheres presas ao ciclo de violência.
“A mulher não quer ficar nesse ciclo de violência. Só que muitas vezes ela suporta isso porque ela não tem como prover o lar dela”, afirmou.
Essa preocupação também se transformou em lei. A Lei Estadual 6.396/2025, de autoria da parlamentar, autoriza o poder público a instituir ações de incentivo à contratação de mulheres em situação de violência doméstica, ampliando as possibilidades de autonomia financeira para quem precisa reconstruir a própria vida longe do agressor.
Para Lia Nogueira, romper o ciclo da violência exige uma rede que atue em diferentes frentes, da conscientização ainda na formação de crianças e adolescentes ao acolhimento e às condições para que a mulher consiga reconstruir a vida longe do agressor.
Fonte: Assessoria