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O ano era o de 2014, quando Raissa Machado atravessava a Sapucaí pela primeira vez como rainha da bateria da Unidos do Viradouro. E de lá saiu vitoriosa, com a taça de campeã da Série A na mão. Pé quente, de lá para cá, 7 anos depois, outros títulos vieram e, sobretudo, o amor de sua comunidade. Raissa é uma unanimidade na escola de Niterói.
Antes de alcançar a coroa, Raissa desfilou também como musa. Ao todo, essa história de amor já soma 13 anos. “Ser rainha de bateria sempre foi um sonho para mim. É um cargo ao qual me dedico muito, tenho muito amor e afinidade tanto com os ritmistas quanto com a comunidade. E esse carinho mútuo se fortalece mais a cada ano, a cada ensaio”, diz ela.
“Por mim, eu ficaria para o resto da minha vida. Me vejo bem velinha desfilando com a minha escola. Mas, gosto muito de viver o momento e sinto que esse é o meu melhor. Em todos os aspectos. Já vivi várias fases na minha Viradouro. Já chorei, já sorri, já gritei. E sempre me dediquei muito. Amo ser rainha, amo o carnaval e a minha escola. Me realizo como mulher, sambista, torcedora”.
Briga de coroas
Com tanta troca de amor e respeito entre escola e rainha de bateria, Raissa Machado, de 35 anos, acredita que não há espaço para competição. Especialmente entre as mulheres que configuram o carnaval com a coroa na cabeça.
“Vejo o carnaval hoje vivendo um tempo de empoderamento da mulher na luta contra o machismo. E isso é uma coisa histórica para o carnaval. Precisamos aproveitar esse momento e ter mais sororidade e realmente entrar nessa briga. Deixar a rivalidade restrita à Avenida. Isso com certeza seria um lindo sonho. Fora dela somos todas mulheres e carregamos cada uma a sua luta. Isso merece sim ser respeitado, independente de qual seja a história de cada uma.”

O julgamento do corpo
Na busca do “corpo perfeito” para cruzar a Marquês de Sapucaí, Raissa corre na contramão e defende a fuga dos padrões da sociedade.
Para ela, a resistência e a mudança está na inclusão. “Acho que a sociedade como um todo, não só no carnaval, já tem desconstruído muito esses padrões de beleza surreais impostos pelas indústrias. Hoje já temos alas inteiras de passistas plus size, e até rainha de bateria plus size. Isso é uma coisa incrível. Independente do nosso corpo, temos talentos e qualidades que nos qualificam a estar em qualquer lugar, ocupando qualquer tipo de cargo.”