segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Como o ‘Super El Niño’ pode afetar economia global

O Super El Niño que está se formando no Oceano Pacífico não deve trazer apenas mudanças no clima.

O fenômeno também pode provocar impactos na economia, com efeitos sobre a produção de alimentos, os preços e os gastos para recuperar áreas atingidas por eventos extremos.

Anos de El Niño costumam ser marcados por escassez de alimentos e aumento de preços. Isso acontece porque secas, enchentes e ondas de calor podem prejudicar plantações e provocar perdas na produção.

O impacto pode chegar ao consumidor. Com uma oferta menor de determinados alimentos, os preços tendem a subir, aumentando a pressão sobre o custo de vida.

Secas e enchentes podem gerar prejuízos

Os efeitos econômicos não ficam restritos ao campo. Eventos extremos também podem destruir estradas, casas e outras estruturas, exigindo grandes investimentos para reconstrução.

Os prejuízos acumulados provocados por secas, enchentes e ondas de calor chegam à ordem de trilhões de dólares no mundo.

No Rio Grande do Sul, por exemplo, as chuvas de 2024 provocaram mais de 100 deslizamentos em um trecho de 20 quilômetros de estrada.

A reconstrução do local foi estimada em R$ 700 milhões, e, dois anos depois, a estrada ainda permanecia em obras.

Além do custo direto para reconstruir a infraestrutura, empresas e produtores também podem ter prejuízos com a interrupção de atividades e a perda de produção.
Pressão sobre a inflação

A combinação de menor produção de alimentos e aumento dos gastos para reparar áreas destruídas pode pressionar a economia.

Quando eventos climáticos reduzem a oferta de alimentos, o efeito pode aparecer nos preços. Ao mesmo tempo, governos e empresas precisam destinar recursos para reconstruir estradas, instalações e outras estruturas danificadas.

Segundo especialistas, esse conjunto de prejuízos pode afetar o crescimento econômico mundial.

O impacto, portanto, pode acontecer em diferentes etapas: o clima extremo prejudica a produção, a menor oferta pode encarecer alimentos e os danos à infraestrutura aumentam os custos de reconstrução.

Um fenômeno global

O El Niño não atinge apenas o Brasil. As alterações provocadas pelo aquecimento das águas do Pacífico modificam a circulação atmosférica e podem provocar efeitos em diferentes partes do planeta.

No episódio atual, cientistas apontam que o fenômeno está ocorrendo em um planeta já mais quente por causa do aquecimento global.

As previsões indicam mais de 90% de chance de um El Niño muito forte. O fenômeno deve atingir o pico em dezembro e pode continuar com intensidade forte ou muito forte durante o primeiro semestre de 2027.

Ainda não é possível saber exatamente quais serão os impactos econômicos em cada região. Mas, conforme o fenômeno avançar, as previsões devem ficar mais precisas sobre os locais e períodos mais afetados.

Por enquanto, os cientistas já sabem que o super El Niño pode representar não apenas um desafio climático, mas também uma ameaça para a produção de alimentos, a infraestrutura e a economia global.

Portal G1

Desmatamento no Brasil registra queda de 20,6% em 2025

Pela primeira vez desde 2019, a área total de vegetação nativa desmatada no Brasil ficou abaixo de 1 milhão de hectares em um único ano. De acordo com o Relatório Anual do Desmatamento no Brasil (RAD2025), divulgado pelo MapBiomas nesta quarta-feira (27), foram desmatados 984.794 hectares no país em 2025, uma redução de 20,6% em relação a 2024.

Todos os biomas do país tiveram redução da área desmatada. O Pantanal registrou a maior redução proporcional entre todos os biomas, com queda de 48,4% na área desmatada em relação a 2024, somando 12.260 hectares perdidos no ano. O Cerrado continua sendo o bioma com maior área desmatada, com 540.614 hectares em 2025.

O MapBiomas alerta que, apesar da redução no desmatamento no ano passado, a área desmatada no Brasil chegou à média de 2.698 hectares por dia, cerca de 112 hectares por hora.

“É como se 17 parques do Ibirapuera – o maior parque urbano da cidade de São Paulo – fossem desmatados todos os dias”, comparou a entidade, em nota.

Nos últimos sete anos, série histórica do MapBiomas Alerta, o Brasil perdeu mais de 10,9 milhões de hectares de vegetação nativa, área superior à do estado de Pernambuco.

Mais desmatados

A Amazônia e o Cerrado foram os biomas mais desmatados em 2025. Juntos, os dois biomas responderam por mais de 84% de toda a área desmatada no país no ano.

O Cerrado concentrou sozinho 54,9% do desmatamento do país, um total de 540.614 hectares, apesar da queda de 16,9% em relação a 2024. O bioma perdeu 1.482 hectares de vegetação nativa diariamente.

Na Amazônia, foram desmatados 289.478 hectares em 2025, uma redução de 23,5% frente ao ano anterior. O desmatamento no bioma foi de 792 hectares por dia, o que equivale à perda de cerca de 5 árvores por segundo, segundo análise do MapBiomas.

O levantamento mostrou que as formações savânicas lideram o tipo de vegetação nativa mais ameaçada. Pelo terceiro ano consecutivo, foram as mais afetadas pelo desmatamento no Brasil, respondendo por 51,4% da área total desmatada, seguidas das formações florestais, com 46,3%.

Na Amazônia e Mata Atlântica predominou o desmatamento em formações florestais, enquanto nos biomas Cerrado, Caatinga e Pantanal, o predomínio foi de supressão das formações savânicas.

Estados

A região conhecida como Matopiba, que reúne os estados do Maranhão, Tocantins, Piauí, Bahia e Mato Grosso, concentra mais de 63% do desmatamento entre os estados. São as cinco unidades federativas com maior área desmatada em 2025.

No acumulado de 2019 a 2025, o Pará é o estado com maior área desmatada, com mais de 2 milhões de hectares de vegetação nativa perdidos no período. No entanto, em 2025, o estado registrou queda de 40% em relação ao ano anterior.

Entre os estados com maiores reduções absolutas, Maranhão, Pará e Tocantins registraram queda superior a 50 mil hectares de área desmatada. Sergipe e Alagoas reduziram mais de 60% em relação ao ano anterior.

Fonte: Agência Brasil

“Cachoeira de sangue” revela o que está sob o gelo da Antártida

Um dos fenômenos mais intrigantes do continente gelado acaba de ganhar uma nova explicação científica. As chamadas Blood Falls( cachoeiras de sangue), na Antártida, não são apenas uma mancha superficial no gelo, mas sim um sinal visível de processos complexos que ocorrem nas profundezas da geleira. As informações são da Antarctic Science.

O que são as cachoeiras de sangue da Antártida

As Blood Falls consistem em um fluxo de água hipersalina rica em ferro que emerge debaixo da geleira Taylor, localizada nos Vales Secos de McMurdo.

A coloração vermelha intensa surge quando essa água, que não contém oxigênio, entra em contato com o ar, provocando a oxidação do ferro, um processo semelhante ao da ferrugem.

Agora, cientistas conseguiram ligar um súbito aumento desse fluxo avermelhado a uma queda mensurável na superfície da geleira acima. A descoberta reforça que o fenômeno está diretamente conectado a mudanças de pressão e ao movimento de água escondida sob o gelo.

O registro mais detalhado ocorreu em setembro de 2018, quando sensores instalados na geleira detectaram uma leve queda enquanto câmeras captavam o início do fluxo vermelho.

National Science Foundation/Peter Rejcek

O geocientista Peter T. Doran, da Universidade Estadual da Louisiana (LSU), correlacionou os dados e concluiu que a liberação da água estava associada à redução da pressão interna.

Ao longo de semanas, os pesquisadores observaram que a superfície da geleira afundou e depois voltou ao nível original, sugerindo um pulso temporário de drenagem abaixo do gelo. Apesar disso, a cobertura limitada de sensores ainda impede entender com precisão a frequência desses eventos.

Sob a geleira, a pressão se acumula à medida que o peso do gelo aprisiona água salgada em canais isolados do ar. Com o tempo, esse sistema não suporta a compressão e libera o líquido em pulsos repentinos. Pequenas mudanças na estrutura interna podem atrasar ou antecipar essas descargas, tornando-as difíceis de prever.

Outro fator essencial é o sal. Ele impede que a água congele, mesmo em temperaturas extremamente baixas, permitindo que o líquido permaneça em movimento por centenas ou até milhares de anos. Esse tipo de água, conhecido como salmoura, pode se concentrar ao longo do tempo devido a ciclos repetidos de congelamento.

A origem desses sais provavelmente está em depósitos minerais e rochas subterrâneas, oferecendo pistas importantes sobre o que existe sob a geleira Taylor.

O fenômeno não é novo. Exploradores já haviam registrado a coloração avermelhada em 1911, e a área segue protegida por regras ambientais rigorosas. Quando a água entra em contato com o ar, a mudança de cor ocorre em poucos minutos, facilitando a identificação de novos fluxos.

Equipamentos instalados próximos ao Lago Bonney também registraram mudanças durante o evento de 2018. Sensores térmicos detectaram queda de temperatura em profundidade, enquanto imagens mostraram a expansão da mancha vermelha ao longo dos dias.

Os dados indicam que a drenagem da salmoura reduz a pressão na base da geleira, fazendo com que o gelo pressione mais o solo rochoso e desacelere seu movimento. Em um dos registros, houve uma queda de cerca de 1,5 centímetro na superfície, acompanhada por uma redução de quase 10% na velocidade da geleira.

Além disso, o fenômeno afeta o ambiente ao redor. A entrada de salmoura no lago pode alterar a estratificação da água, camadas estáveis que normalmente não se misturam, e redistribuir nutrientes, impactando formas de vida adaptadas a condições extremas.

Mapeamentos recentes também revelaram que essa água salgada pode percorrer longas distâncias subterrâneas. Sensores aéreos identificaram caminhos de até 4,8 quilômetros sob o solo, enquanto radares mostraram canais internos dentro da própria geleira.

Mesmo em condições extremas, a vida encontra um caminho. Microrganismos presentes na salmoura sobrevivem sem oxigênio, utilizando reações químicas com ferro e enxofre como fonte de energia. Estima-se que esse ecossistema esteja isolado há até cinco milhões de anos.

Com essas descobertas, as Blood Falls deixam de ser vistas apenas como uma curiosidade visual e passam a ser interpretadas como um ponto de liberação de pressão que conecta gelo, rocha e água em um sistema dinâmico e ainda pouco compreendido.

Os cientistas agora planejam ampliar o monitoramento da região para entender se mudanças climáticas podem influenciar a frequência desses eventos e revelar ainda mais segredos escondidos sob o gelo antártico.

Fonte: Portal IG

Juruva é instituída ave símbolo da Mata Atlântica em MS

Mato Grosso do Sul instituiu a juruva (Baryphthengus ruficapillus) como ave símbolo dos domínios da Mata Atlântica no Estado.

A medida foi oficializada com a sanção da Lei nº 6.563/2026 e representa um avanço na valorização da biodiversidade, além de reforçar políticas públicas voltadas à conservação ambiental e ao desenvolvimento do turismo de natureza.

A legislação estabelece que o reconhecimento da espécie tem como objetivos promover a biodiversidade sul-mato-grossense, incentivar ações de educação ambiental, estimular o turismo de observação de aves e a pesquisa científica, além de ampliar a conscientização da população sobre a importância da preservação da Mata Atlântica e de seus habitats.

A escolha da juruva é resultado de um processo participativo que mobilizou instituições públicas, privadas e organizações da sociedade civil.

A proposta foi apresentada pela Frente Parlamentar de Unidades de Conservação durante reunião realizada na Assembleia Legislativa em 27 de maio de 2025, data em que se celebra o Dia Nacional da Mata Atlântica. O resultado da consulta pública foi divulgado em 5 de junho, no Dia Mundial do Meio Ambiente.

A sanção da lei ocorre em um momento estratégico, logo após a realização da COP15 em Mato Grosso do Sul, reforçando o protagonismo do estado nas discussões globais sobre conservação da biodiversidade.

A Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul teve atuação desde a construção da proposta. Segundo Edson Moroni, gerente de Estruturação e Inovação da Oferta Turística da Fundtur, a iniciativa fortalece o posicionamento do estado no turismo de natureza.

“A Fundação de Turismo participou ativamente desde o início da construção dessa iniciativa. Estamos felizes em ver esse passo se concretizando, fortalecendo a valorização da biodiversidade e do turismo de natureza no estado”.

Para o diretor de Desenvolvimento do Turismo da Fundtur MS, Geancarlo Merighi, a medida reforça o papel da gestão pública na consolidação do segmento. “A escolha da ave símbolo reforça a valorização da identidade local e o papel da gestão pública na consolidação do segmento de observação de aves como vetor de desenvolvimento sustentável”.

A nova legislação também prevê que o Poder Executivo poderá adotar medidas complementares para promover a imagem da espécie em campanhas educativas, materiais institucionais e eventos ambientais.

Para Ana Luzia Abrão, gestora da RPPN Ernesto Vargas Baptista, localizada no município de Eldorado, a aprovação reflete o esforço coletivo de diferentes atores.

“Essa aprovação mostra a união de diversas instituições em prol da valorização de uma espécie emblemática da nossa fauna. Destaco o papel da Fundação de Turismo, das IGRs, da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, do Imasul, das RPPNs, das prefeituras e das organizações locais”.

Na avaliação de José Lucas, operador turístico e executivo da Instância de Governança Vale das Águas, a iniciativa representa um marco para o setor.

“Essa ação foi fundamental para valorizar o segmento de turismo de observação de aves. Houve uma mobilização importante de diversos atores, e entendemos que fortalecer esse segmento é estratégico para o desenvolvimento sustentável do território”.

A iniciativa também se conecta a ações estruturantes já em andamento. Recentemente, a Fundação de Turismo, em parceria com a IGR Vale das Águas e o Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul), lançou uma rota de observação de aves em Unidades de Conservação da Mata Atlântica, ampliando as oportunidades para o aviturismo na região.

Mata Atlântica em MS

Mato Grosso do Sul possui cerca de 6,3 milhões de hectares inseridos no bioma Mata Atlântica, abrigando a maior área contínua preservada desse bioma no interior do Brasil.

Desse total, mais de 1 milhão de hectares estão em unidades de conservação, como o Parque Estadual das Várzeas do Rio Ivinhema e a Área de Proteção Ambiental das Ilhas e Várzeas do Rio Paraná, além de reservas particulares e áreas municipais protegidas.

A Juruva é uma espécie típica da Mata Atlântica e conhecida por sua beleza singular, comportamento discreto e importância ecológica, sendo considerada um importante indicador da qualidade ambiental dos ecossistemas florestais.

Com a instituição da juruva como ave símbolo, o estado reforça seu posicionamento como destino estratégico para o turismo de natureza, integrando conservação ambiental, pesquisa científica, educação e desenvolvimento econômico.

Fonte: Portal do MS

Super El Niño pode causar calor extremo e inundações pelo mundo ainda em 2026

Especialistas do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF) e do Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOOA) apontam que o mundo pode enfrentar, ainda em 2026, uma variação mais forte do El Niño, fenômeno natural responsável pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial.

Episódios mais intensos do fenômeno contribuíram para temperaturas globais recordes, calor extremo, seca e inundações em diversos lugares do mundo. De acordo com o ECMWF, as probabilidades de ocorrer uma variação forte são de 80%, enquanto a variação super é de 20%.

O metereologista Sidney Abreu, do do Instituto Nacional de Metereologia (Inmet), explica que os modelos climáticos apresentados pelo NOAA mostram a previsão do El Niño em 2026 com anomalias positivas da Temperatura da Superfície do Mar (TSM) no Oceano Pacífico Equatorial em torno de 2.0 graus acima da média.

“Esse valor é próximo dos El Niños mais fortes já observados, como os de 1982/1983 e de 1997/1998. A anomalia de TSM acima da média ocasiona uma mudança na circulação da atmosfera”, afirma.

Na prática, esse aquecimento superforte altera de maneira significativa a circulação atmosférica e a distribuição de chuvas pelo mundo. Enquanto algumas regiões podem sofrer com calor intenso, outras podem nem receber a quantidade de chuva necessária.

No Brasil, há um déficit de chuva nas regiões Norte e Nordeste, por exemplo, e um superávit de chuva no Centro-Sul. O último ano com ocorrência do El Niño foi em 2023/2024 e esteve entre os mais fortes já registrados. 

“Na região Norte e Nordeste se espera uma redução dos índices pluviométricos causando uma diminuição nos níveis dos rios e dos reservatórios, o que pode afetar a navegação marítima, a agricultura, favorece situações de grandes áreas de queimadas e ondas de calor. Cenário observado durante o El Niño de 2023/2024, onde os rios da Amazônia viraram ruas”, ressalta o meteorologista.

Já no Centro-Sul, o aumento de índices pluviométricos traz, consequentemente, eventos extremos de chuva, enchentes severas, deslizamentos, granizos e aumento moderado das temperaturas.

“Um exemplo foram as chuvas extremas e prolongadas por dias ocorridas no Rio Grande do Sul, sendo este evento o maior do ponto de vista climático ocorrido no Brasil. Este cenário também foi observado no último El Niño. No Centro-Oeste pode ter secas mais prolongadas e temperaturas recordes”, acrescenta.

Outro destaque feito pelo especialista é a Oscilação Decadal do Pacífico (ODP), um padrão climático com fases quentes ou frias que duram de 10 a 30 anos. A fase quente da ODP iniciou em 2020.

“Essa fase quente é caracterizada por uma frequência maior de El Niños acontecendo no Pacífico Equatorial, além disso, mais intensos. O aumento da temperatura global ao longo das décadas também potencializa isso”, diz.

Além das mudanças climáticas extremas, o fenômeno natural também influencia na economia, tendo em vista que afeta a produção de insumos como algodão, milho e soja. Apesar disso, foi constatado que no Canadá, por exemplo, as mudanças atmosféricas trouxeram um inverno mais ameno, o que acabou beneficiando pescadores locais.

Fonte: Portal Terra

Mudança climática deixa os dias mais longos; e isso nunca foi tão rápido

Os dias na Terra estão ficando um pouco mais longos — e a mudança climática pode ser a principal responsável por isso.

Um estudo publicado nesta semana na revista científica “Journal of Geophysical Research: Solid Earth” aponta que o aumento atual na duração dos nossos dias já é o maior registrado em pelo menos 3,6 milhões de anos.
A pesquisa foi conduzida por cientistas da University of Vienna, na Áustria, e da ETH Zurich, na Suíça.

Segundo os pesquisadores, o fenômeno ocorre porque o derretimento acelerado das calotas polares e das geleiras está redistribuindo a massa de água no planeta, elevando o nível do mar e alterando levemente a rotação da Terra.
 
Ainda de acordo com o estudo, hoje, os dias estão se tornando mais longos a uma taxa de cerca de 1,33 milissegundo por século.

Pode parecer pouco, mas, em termos geológicos, essa velocidade de mudança é incomum.

Mudança inédita na história recente

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores recorreram a um arquivo de fósseis de organismos marinhos microscópicos chamados de foraminíferos bentônicos.

A composição química desses fósseis permite reconstruir as variações do nível do mar ao longo do tempo e, a partir disso, calcular como a rotação da Terra mudou no passado.

Ao longo dos últimos 2,6 milhões de anos o crescimento e o derretimento de grandes calotas de gelo já tinham causado variações significativas no comprimento do dia.
Mas nenhuma delas se compara ao que está acontecendo agora. A única exceção foi há cerca de 2 milhões de anos, quando o ritmo de mudança chegou perto do atual, mas nunca o superou.

“A partir da composição química dos fósseis de foraminíferos, conseguimos inferir variações no nível do mar e, a partir delas, calcular matematicamente as mudanças correspondentes na duração do dia”, explicou o primeiro autor do estudo, Mostafa Kiani Shahvandi, da Universidade de Viena.

Para tornar as estimativas mais confiáveis, os cientistas usaram ainda um modelo computacional capaz de analisar grandes volumes de dados e reconstruir como o nível do mar mudou ao longo do tempo.

“Esse modelo consegue representar como o nível do mar varia e, ao mesmo tempo, lidar com as incertezas naturais dos dados sobre o clima do passado”, acrescentou o cientista do clima e geofísico.

Ainda de acordo com os cientistas, o aumento atual na duração do dia provavelmente está ligado principalmente às atividades humanas que impulsionam o aquecimento global.

E as projeções indicam que, até o final do século, o impacto das mudanças climáticas na rotação da Terra pode até superar o efeito gravitacional da Lua — que normalmente é o principal fator natural responsável por variações no ritmo de rotação do planeta.

Aliado a isso, embora as mudanças sejam pequenas — medidas em milissegundos —, elas podem ter efeitos importantes em áreas que dependem de medições extremamente precisas do tempo e da posição da Terra.
Entre elas estão sistemas de navegação espacial, satélites e tecnologias de geolocalização de alta precisão.

Fonte: Portal G1

El Niño eleva risco de fogo no Pantanal

A influência do fenômeno climático El Niño em Mato Grosso do Sul neste ano vai intensificar a possibilidade de ocorrências de incêndios florestais nos biomas do Estado, como o Cerrado, a Mata Atlântica e, especialmente, o Pantanal. O El Niño interfere no regime de chuvas e no padrão de temperatura e de ventos, elevando consideravelmente o risco de fogo na região.

Em Mato Grosso do Sul o fenômeno atua de forma direta, deixando as temperaturas mais quentes – situação que em 2026 tem previsão de ocorrer durante o inverno – e provoca também irregularidades de chuva. Diante de tal cenário, o Estado já conta com uma estrutura de resposta ágil, que envolve tecnologia, mobilização com aeronaves e por terra nas bases avançadas, além de um planejamento com ações estratégicas de prevenção e combate aos focos.

A meteorologista Valesca Fernandes, do Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul), explica que em todo o Estado, a situação deve se agravar nos próximos meses, após período de chuvas abaixo do esperado até janeiro. Mesmo com mudança do cenário desde o início de fevereiro, quando alguns municípios já superaram a média de chuva esperada para todo o mês, a situação ainda é de alerta.

Os dados são consolidados a partir do monitoramento de 48 municípios, com informações da Semadesc (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico) e Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais).

“Em relação ao El Niño, a época é de condições de neutralidade para o trimestre de fevereiro, março e abril. Porém, no segundo semestre, há um indício de retorno do fenômeno e que pode favorecer a ocorrência de temperaturas acima da média e as ondas de calor”, explica Valesca, que completa.

“Essa situação casa exatamente durante o período seco, que seria quando a gente tem a umidade muito baixa. As condições das altas temperaturas, ondas de calor, baixo valor de umidade relativa do ar, todo esse cenário pode intensificar o aumento para a ocorrência de incêndios florestais”.

O aumento dos eventos severos é uma das principais características causadas pelo El Niño, que interferiu na ocorrência das temperaturas mais quentes já registradas, entre 2023 e 2025. A previsão, de acordo com o Cemtec, é de que o El Niño deve se desenvolver entre o fim do outono e o início do inverno, mas o aquecimento das temperaturas está previsto a partir de março.

De forma geral, o El Niño também vai influenciar o próximo período úmido, que deve ser de chuvas irregulares e insuficientes, abaixo da média histórica.

Fonte: Portal do MS

Mundo caminha para até 2,5°C de aquecimento até o fim do século

O mundo continua caminhando para um aumento de temperatura entre 2,3°C e 2,5°C até o fim do século, mesmo que todos os compromissos climáticos atuais sejam cumpridos.

O alerta é do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), que vê o planeta cada vez mais distante da meta de limitar o aquecimento global a 1,5°C.

🌡️ENTENDA: Essa meta de 1,5°C foi estabelecida pelo Acordo de Paris em 2015 para evitar impactos extremos do clima, como secas, elevação do mar e colapso de geleiras. Estudos recentes, porém, mostram que o mundo pode já ter ultrapassado esse ponto crítico.

A avaliação, divulgada nesta terça-feira (4), mostra que apenas 60 países, responsáveis por 63% das emissões globais de gases de efeito estufa, atualizaram suas metas climáticas nacionais (as chamadas NDCs) até o fim de setembro de 2025.

Todos os signatários do Acordo de Paris tinham a obrigação de revisá-las neste ciclo, mas a ONU afirma que o resultado ficou “muito aquém do necessário”.

📝ENTENDA: Essas metas são o principal instrumento do Acordo de Paris para enfrentar a crise climática. A NDC atual do Brasil, por exemplo, inclui a meta de reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 53% até 2030 e zerar as emissões líquidas até 2050.

Ainda segundo a ONU, mesmo as novas promessas não foram suficientes para alterar de forma significativa as projeções de aquecimento.

Por que cada grau importa? — Foto: Gui Sousa/Arte g1

As estimativas caíram apenas de 2,6–2,8°C em 2024 para 2,3–2,5°C agora, uma diferença de poucos décimos de grau.

Segundo o próprio relatório, essa redução modesta se deve, em parte, a mudanças metodológicas nas análises, e não a ações concretas.

Além disso, a saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris, prevista para janeiro de 2026, deve anular cerca de 0,1°C desse avanço simbólico.
A ONU alerta que o cenário coloca em risco a principal meta global de contenção do aquecimento.

A “lacuna de emissões”, termo que dá nome ao relatório, se refere à diferença entre o que os países prometeram cortar e o que seria necessário para manter o aumento da temperatura dentro do limite de 1,5°C.

Segundo o Pnuma, essa lacuna permanece praticamente inalterada desde 2015, quando o acordo foi assinado.

“As nações tiveram três tentativas para cumprir as promessas feitas no âmbito do Acordo de Paris, e elas erraram o alvo”, afirmou Inger Andersen, diretora-executiva do Pnuma.

Fonte: Portal G1

Por que as ondas de calor estão cada vez mais frequentes?

Os dias de calor extremo estão cada vez mais intensos. O verão dos primeiros meses do ano foi um dos mais quentes. Em 2024, tivemos inúmeras ondas de calor. E por que isso está acontecendo?

Segundo especialistas e estudos recentes, isso tem a ver com o aumento das emissões de gases poluentes que estão mudando o clima e deixando Terra mais quente.

Uma pesquisa publicada na revista Nature, um dos principais periódicos científicos, 50% do agravamento de eventos extremos entre 2000 e 2023 pode ser ligado diretamente às emissões das 180 maiores produtoras de combustíveis fósseis e cimento do planeta.

A pesquisa analisou 213 ondas de calor registradas em 63 países ao longo das últimas duas décadas e concluiu que, sem a influência da mudança climática causada pelo ser humano, ao menos um quarto desses episódios teria sido “praticamente impossível”.

O que causa uma onda de calor

As ondas de calor precisam de dois fatores principais para se formar: massas de ar quente e seco e bloqueios atmosféricos — sistemas de ventos no alto da atmosfera que agem como uma barreira, impedindo a chegada das frentes frias ao continente.

Quando há esse bloqueio, as frentes frias se formam, mas são desviadas para o oceano.

Sem a entrada de umidade e sem ventos que renovem o ar, a massa quente se fortalece e fica parada sobre uma região por vários dias. O resultado é a elevação constante das temperaturas e a formação da onda de calor.

O calor é uma ameaça para a saúde

As ondas de calor não afetam apenas o meio ambiente, mas também colocam em risco a saúde humana. O corpo pode se adaptar às altas temperaturas, mas não sem consequências.

O calor intenso causa náusea, tontura, fadiga e dores de cabeça. Em casos mais graves, o estresse térmico — índice que mede os riscos à saúde pela exposição ao calor — pode levar à falência de órgãos e morte.

“É impossível suportar esse período de tempo sob essas temperaturas sem consequências, o corpo não tem resiliência para suportar. O acompanhamento da temperatura tem que estar no programa de vigilância com prioridade máxima, se não estamos deixando milhões de pessoas expostas ao risco de vida” — Sandra Hacon, que pesquisa os impactos do calor na saúde na Fiocruz.

De acordo com o Ministério da Saúde, quase 60 pessoas morreram no Brasil nos últimos 14 anos devido ao calor extremo.

No entanto, especialistas reforçam que isso é subnotificado, já que não existe protocolo padronizado para associar mortes diretamente à exposição ao calor.

Fonte: Portal G1

Amazônia abriga cerca de 55 milhões de árvores gigantes, revela pesquisa

Um estudo divulgado na terça-feira (14) pela revista britânica New Phytologist revelou, pela primeira vez, onde estão as maiores árvores da Amazônia. Com mais de 60 metros de altura, essas gigantes ajudam a manter o equilíbrio da floresta, armazenam carbono e são fundamentais para a biodiversidade.

O artigo, intitulado “Mapping the density of giant trees in the Amazon”, ou traduzido do inglês “Mapeando a densidade de árvores gigantes na Amazônia”, foi liderado pela Universidade do Estado do Amapá (Ueap) e realizado por uma equipe ampla de pesquisadores de outras instituições nacionais e internacionais.

O foco principal foi mapear e modelar a densidade de árvores gigantes em toda a Amazônia brasileira. Para isso, os cientistas utilizaram dados de sensoriamento remoto por LiDAR (Light Detection and Ranging), coletados entre 2016 e 2018 em 900 áreas da floresta, cada uma com cerca de 3,75 km².

Esses dados foram combinados com 16 variáveis ambientais, como clima, relevo, solo, incidência de raios e ventos, para construir um modelo de floresta aleatória (Random Forest), uma técnica de inteligência artificial que permite prever padrões com alta precisão.

Os resultados mostram que a distribuição dessas árvores é desigual: cerca de 14% estão concentradas em apenas 1% da área da Amazônia.

As maiores densidades foram encontradas em Roraima e do Escudo das Guianas — que inclui parte do estado do Amapá — onde há alta disponibilidade de água e baixa incidência de raios e ventos fortes.

Amazônia abriga atualmente 55 milhões de árvores gigantes, revela pesquisa — Foto: Ueap/Divulgação

Segundo Robson Lima Borges, pesquisador da Ueap, o estudo reforça como poucas árvores gigantes podem concentrar grandes estoques de biomassa e carbono acima do solo, o que as torna peças-chave no equilíbrio ecológico da floresta.

“O artigo é um importante desdobramento das pesquisas nossas sobre as árvores gigantes. Em especial, nossa pesquisa traz um importante insight que é sobre como poucas árvores grandes podem impactar diretamente os maiores estoques de biomassa e carbono acima do solo”, informou o pesquisador.

O estado do Amapá teve papel importante na pesquisa. Instituições como a Ueap e o Instituto Federal do Amapá (Ifap) participaram ativamente do estudo. Parte dos voos com sensores LiDAR foi realizada sobre áreas do Amapá, contribuindo para o mapeamento da vegetação local.

Com grande cobertura vegetal e baixa taxa de desmatamento, o território amapaense se destaca como uma das regiões com maior potencial de conservação da floresta, segundo o artigo.

O estudo identificou que fatores como temperatura amena, boa luminosidade, solo com alta retenção de água e baixa frequência de distúrbios naturais favorecem o crescimento das árvores gigantes. Já eventos extremos, como secas prolongadas, ventanias e descargas elétricas, aumentam a mortalidade dessas espécies.

O artigo científico está disponível na versão inglesa no site da revista New Phytologist.

Fonte: Portal G1

UEMS e Receita Federal iniciam parceria para reaproveitamento de lixo eletrônico

A Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), por meio do Centro de Pesquisas em Materiais (CEPEMAT), reforçou parceria firmada com a Alfândega da Receita Federal do Brasil em Mundo Novo.

No dia 6 de outubro de 2025, reunião envolvendo representantes das duas instituições iniciou as tratativas para a utilização de resíduos eletrônicos. A ideia é aproveitar mercadorias eletrônicas apreendidas pela Receita Federal para execução de projetos na área da robótica.

Participaram da reunião o doutorando Paulo Sidnei Stringhini Junior, professores da UEMS, Rony Gonçalves e Aguinaldo Lenine Alves, o delegado titular da  Alfândega da Receita Federal do Brasil em Mundo Novo, Thiago André Hering, além do gerente da Unidade Universitária de Mundo Novo, Leandro Marra.

O professor Aguinaldo Lenine Alves explica que o CEPEMAT desenvolve ações que unem ciência, sustentabilidade e responsabilidade social, transformando resíduos em oportunidades de ensino e pesquisa. Segundo o docente, o que antes era considerado descarte agora se transforma em ferramenta de aprendizado.

“Os lixos eletrônicos que a Receita apreende — placas, TVs, computadores — para eles são resíduos. Para nós da UEMS, esse material vira material de ensino na robótica, nas escolas. É um descarte para a Receita, mas para nós é um material de estudo”, destaca.

A iniciativa tem forte impacto ambiental e educacional. “Para o meio ambiente é interessantíssimo, porque o material vai ser reaproveitado. A parte do lixo eletrônico se transforma em matéria-prima para desenvolver robôs para as escolas. É um reaproveitamento, e nada disso vai para o descarte”, explica o professor.

O trabalho também contribui significativamente para reduzir o acúmulo de materiais nos depósitos públicos. Em vez de serem descartados ou incinerados, os itens apreendidos pela Receita Federal passam a ser reaproveitados em projetos sociais e educacionais, especialmente nas atividades de robótica desenvolvidas pela UEMS, promovendo assim uma destinação sustentável e de impacto social positivo.

Além do lixo eletrônico, o CEPEMAT também tem se destacado por projetos inovadores que envolvem o reaproveitamento de filtros de cigarro — resíduos produzidos em larga escala e de difícil destinação.

RECONHECIMENTO

Essas experiências de reaproveitamento sustentável ganharão visibilidade nacional durante o III Congresso de Direito Tributário e Aduaneiro da Receita Federal do Brasil, que será realizado nos dias 29 e 30 de outubro de 2025, em Brasília (DF).

O evento reunirá especialistas e representantes de diversas instituições para discutir o tema “Sustentabilidade, Cooperação, Cidadania e Inovação” na Administração Tributária, com foco na transformação digital e no fortalecimento do diálogo entre o fisco e a sociedade.

Durante o evento, será realizada uma exposição nacional em Brasília, organizada pela Receita Federal, que apresentará diferentes iniciativas de reaproveitamento e transformação de materiais apreendidos.

Entre os destaques, estarão a telha-sanduíche desenvolvida pelo CEPEMAT e um artigo científico produzido pela equipe da UEMS, ambos representando os resultados das pesquisas e práticas sustentáveis conduzidas pela Universidade. A participação da instituição na mostra reforça o reconhecimento nacional do trabalho realizado na área de inovação, sustentabilidade e cooperação entre ciência e sociedade.

Fonte: Portal do MS

Reabilitados no CRAS, animais silvestres retornam à liberdade no coração do Pantanal

O Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), por meio do Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (CRAS), realizou em julho de 2025 uma série de ações de reintegração de fauna silvestre no bioma Pantanal.

As atividades ocorreram em parceria com o projeto Onçafari e incluíram solturas, aclimatação e início de monitoramento de espécies reabilitadas na Reserva Santa Sofia, em Aquidauana.

Entre os animais, estão quatro pacas que, após passarem por um processo cuidadoso de reabilitação, reencontraram a natureza. Cada uma delas deixou o recinto em passos cautelosos, como se reconhecessem o caminho de volta ao seu habitat.

No mesmo local, onze tucanos-toco (Ramphastos toco), resgatados do tráfico de fauna silvestre, foram encaminhados ao recinto de aclimatação para aves. Lá, permanecem sob observação até que estejam plenamente aptos a alçar voos livres, longe das gaiolas.

macacos-prego ganham uma nova chance de viver livres na natureza

Outro momento marcante foi o início do monitoramento de macacos-prego (Sapajus libidinosus) com colares VHF — tecnologia inédita no CRAS. Os primatas, que estavam em processo de aclimatação desde março deste ano, serão acompanhados após a soltura, o que permitirá compreender melhor sua adaptação e reintegração ao habitat natural.

“Ver esses animais voltarem à natureza é um presente. São histórias de superação. Muitos chegaram aqui debilitados, sem perspectiva. Hoje, voltam a viver o que sempre foi deles por direito: a liberdade”, destacou a gestora do CRAS, Aline Duarte.

A Reserva Santa Sofia, onde as atividades foram realizadas, é administrada pelo Onçafari e abriga um espaço de reabilitação dedicado a diversas espécies do Pantanal, como onças-pintadas, araras, antas, aves de rapina, ungulados e primatas.

“Cada soltura é uma vitória. É como apagar, pouco a pouco, as marcas da violência sofrida por esses animais. Trabalhamos todos os dias para que eles tenham uma nova história — desta vez, escrita na liberdade da natureza”, afirmou a médica-veterinária que integra a equipe do CRAS, Jordana Toqueto.

Essas histórias, construídas com dedicação, ciência e empatia, por meio da equipe técnica do Imasul, mostram que a conservação vai além dos números: ela transforma e renova a esperança da fauna pantaneira.

Fonte: Portal do MS

Prefeitura inicia plano de arborização para tornar Dourados mais verde e segura

A Prefeitura de Dourados iniciou, por determinação do prefeito Marçal Filho, as primeiras ações práticas do Plano Diretor de Arborização Urbana (PDAU), que visa promover uma gestão mais eficiente, segura e sustentável da arborização da cidade.

O plano foi instituído pelo Decreto Municipal nº 3.045 de 2020, e é resultado de estudos técnicos realizados entre os anos de 2018 e 2019, com levantamento detalhado das árvores localizadas na área urbana.

Com base nos dados coletados, o Plano Diretor propõe uma série de programas voltados à expansão, conservação e melhoria da arborização pública. Entre eles, destaca-se o Programa de Tratos Culturais na Arborização Urbana, que busca melhorar a qualidade fitossanitária das árvores, prevenir pragas e doenças e reduzir riscos à população.

Como parte desse programa, a prefeitura dará início à identificação e supressão de árvores com risco de queda, priorizando áreas apontadas pelo plano como críticas. Os trabalhos ocorrerão em passeios públicos e canteiros centrais, e a marcação prévia das árvores será realizada por equipes técnicas, incluindo servidores e estagiários. A localização de cada árvore a ser suprimida será publicada previamente no Diário Oficial do Município.

O diretor-presidente do Instituto Municipal de Meio Ambiente (Imam), Fábio Luis, explica que a ação atende a uma demanda da população e é parte de um planejamento mais amplo, por determinação do prefeito Marçal Filho.

“A arborização urbana tem papel fundamental na qualidade de vida de toda comunidade”, enfatiza. “Nossoobjetivo é manter uma arborização segura, planejada e compatível com as características do município”, afirma o diretor-presidente.

Além das ações imediatas, o Plano Diretor contempla ainda outros programas estruturantes, como: Gestão de Conflitos com a Rede Elétrica, Educação Ambiental, Capacitação de Equipes, Produção de Espécies Recomendadas, Implantação de Corredores Verdes e Monitoramento Permanente da Arborização. “Com essas iniciativas, a Prefeitura de Dourados reafirma seu compromisso com o desenvolvimento urbano sustentável, aliando segurança da população e preservação ambiental”, lembrou o secretário Fábio Luis.

Fonte: Assecom

Rio Paraguai apresenta melhora em 2025, mas ainda não alcança níveis de 2023

O rio Paraguai tem apresentado sinais de recuperação ao longo de 2025, após enfrentar em 2024 a pior seca registrada desde o início do monitoramento hidrológico. Apesar da melhora nos níveis de água em relação ao ano passado, os dados indicam que o rio ainda está abaixo das cotas registradas em 2023.

Os dados são provenientes das estações hidrometeorológicas de Ladário e Porto Murtinho e cobrem o período até o final de junho deste ano. Os gráficos comparativos revelam que, embora haja um aumento considerável nas cotas em comparação com 2024, ainda não se atingiram os patamares de dois anos atrás.

Na prática, isso significa que na estação de Ladário, o rio está atualmente cerca de 2,20 metros acima do nível registrado em 2024, mas ainda 87 centímetros abaixo do observado em 2023. Em Porto Murtinho, a recuperação é similar: o nível atual está 2,40 metros acima do registrado no ano passado, e 20 centímetros abaixo da cota de 2023.

A situação crítica enfrentada em 2024 ainda está fresca na memória dos especialistas. Em 19 de outubro daquele ano, o rio Paraguai atingiu o nível mais baixo da série histórica, marcando -71 cm em Ladário. Já em Porto Murtinho, o valor mínimo foi de 52 cm no dia 23 de outubro de 2024.

“Embora os números de 2025 tragam alívio diante do cenário dramático vivido em 2024, é importante lembrar que ainda estamos em um quadro de atenção. A recuperação é parcial e precisamos manter o monitoramento contínuo e investir em estratégias de adaptação frente às mudanças climáticas que afetam diretamente nossos rios”, destaca Leandro Neri Bortoluzzi, integrante da Sala de Situação dos Rios do Imasul.

Apesar dos dados de 2025 sinalizarem uma melhora expressiva, o momento exige cautela. O Mato Grosso do Sul está atualmente no período seco do ano, e a tendência é de estabilização dos níveis nos próximos dias, seguida por uma redução gradual até a chegada do próximo ciclo de chuvas.

Acompanhamento em tempo real

A população pode acompanhar a evolução do nível do rio Paraguai e de outros rios de Mato Grosso do Sul por meio do Boletim Diário da Sala de Situação dos Rios do Imasul, disponível em: https://www.imasul.ms.gov.br/sala-de-situacao/

A recuperação parcial do rio Paraguai é uma boa notícia, mas reforça a necessidade de ações de monitoramento contínuo, planejamento hídrico e adaptação às mudanças climáticas que vêm impactando os regimes hidrológicos da região.

Fonte: Portal do MS

Festival América do Sul 2025 registra recorde na coleta de resíduos recicláveis

Latas, plásticos, papéis, vidros, óleo de cozinha. Nada disso desaparece quando vai para o lixo. Se descartados de forma incorreta, esses resíduos contaminam o solo, entopem redes de esgoto, comprometem o tratamento da água e poluem rios e mananciais.

O impacto ambiental é profundo e duradouro, especialmente em uma cidade como Corumbá, situada às margens do rio Paraguai, uma das bacias hidrográficas mais importantes da América do Sul.

Nesse contexto, o descarte inadequado de óleo de cozinha se destaca como um dos principais vilões ambientais. Segundo o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), apenas um litro de óleo tem potencial para poluir até 25 mil litros de água, um impacto direto e devastador para o Pantanal, suas comunidades ribeirinhas e sua biodiversidade.

Foi com a proposta de transformar esse cenário que a empresa Du Bem, especializada em educação ambiental e reaproveitamento de resíduos, marcou presença no Festival América do Sul 2025, realizado de 15 a 18 de maio. Ao assumir a gestão dos resíduos do evento e promover oficinas abertas ao público, a Du Bem mostrou, na prática, como os resíduos podem se tornar soluções.

Durante os quatro dias do festival, foram recolhidos e encaminhados corretamente 1.500 quilos de resíduos recicláveis, incluindo 657 kg de latinhas de alumínio, 486 kg de vidro, 230 kg de plástico e 127 kg de papel.

Somente com as latinhas, os catadores parceiros obtiveram R$ 3.942,00, fortalecendo a economia circular local. O destaque, no entanto, foi para a coleta de 80 litros de óleo de cozinha usado, volume quatro vezes maior do que o registrado em 2023. Essa quantidade representa a preservação de 2 milhões de litros de água, que deixaram de ser contaminados.

Informação que transforma

Para muitas pessoas que trabalharam no FAS 2025, a ação da Du Bem foi um divisor de águas. A vendedora Ana Carolina, que esteve à frente de uma barraca de salgados no corredor gastronômico do Festival, por exemplo, demonstrou surpresa ao saber do impacto causado pelo óleo e da opção de poder levar seu descarte até o estande da parceira da Du Bem.

“Estou impactada com essa informação! Eu tenho várias garrafas de óleo guardadas em casa e não sabia onde descartar. Achei muito interessante saber que existe esse projeto e que ainda posso levar lá e ganhar sabão em troca, antes que acabe o festival. Melhor ainda!”

Essa devolutiva imediata, o reaproveitamento do óleo para produção de sabão artesanal, reforçou o conceito de ciclo sustentável e despertou a consciência ambiental de quem, muitas vezes, não sabia o que fazer com o resíduo.

A empreendedora Rositelma Vargas, da Barraca do Peixe, também esteve entre os participantes impactados pela proposta. Diferente de Ana Carolina, ela já adota práticas conscientes há anos.

“Desde que comecei a trabalhar com óleo, nunca descartei no meio ambiente. Eu guardo e dou pra quem precisa. Já vi gente jogando na praça, e sempre falo que isso é errado. Fiquei sabendo da ação da Du Bem e levei o que tenho para descartar. Achei ótimo saber que além de ajudar o meio ambiente, posso obter o sabão em troca.”

Educação

Com oficinas de preparo de sabão a partir do óleo de cozinha e ações educativas em seu estande, a Du Bem transformou resíduos em aprendizado durante os quatro dias do Festival América do Sul 2025. As crianças foram protagonistas em atividades lúdicas sobre a separação correta do lixo, enquanto adultos refletiam sobre seus hábitos de consumo e descarte.

A troca de óleo usado por sabão artesanal reforçou o valor do reaproveitamento, mostrando que o que antes era lixo pode voltar como produto útil.

O projeto também contou com a parceria do MS Tampinhas, iniciativa que arrecada tampinhas plásticas e lacres de alumínio e os converte em recursos para a castração e alimentação de animais. As latinhas e outros recicláveis foram encaminhados para empresas locais, fortalecendo a cadeia da reciclagem na própria cidade.

Desafios

Corumbá enfrenta desafios reais quando o assunto é gestão de resíduos. O descarte irregular é visível em vários pontos da cidade, inclusive próximos ao rio. Para a fundadora da Du Bem, Ana Franzoloso, isso reforça a necessidade de presença constante de projetos que unam educação, logística e acolhimento.

“Estamos falando de uma cidade às margens de um rio fundamental para o continente. O mínimo que podemos fazer é cuidar do que jogamos fora. Esse cuidado precisa ser coletivo e cotidiano. A gente está aqui pra construir essa cultura, mesmo que devagar.”

Os resultados do trabalho durante o FAS 2025 comprovam que informação, estrutura e incentivo são capazes de gerar mudança real. Quando a população tem acesso a meios adequados de descarte e entende o impacto de suas ações, o meio ambiente agradece, e toda a cidade colhe os frutos.

Fonte: Portal do MS